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sábado, 30 de maio de 2015

Labirintos do Fascismo / João Bernardo

Labirintos do Fascismo
Na Encruzilhada da Ordem e da Revolta

segunda versão remodelada e muito ampliada


A primeira versão deste livro foi publicada no Porto pelas Edições Afrontamento em 2003.





O LABIRINTO Este é um livro interminável, e permanecerá tão inacabado como na primeira versão. 
Não porque o assunto seja extenso. Outros há de dimensões superiores e, de toda a maneira, a função, ou pelo menos o privilégio, do historiador é cortar onde quiser e seguir o caminho mais curto se achar melhor. São outras as razões que levam este livro, apesar de tantos anos de trabalho, a nunca ter fim.

Antes de mais, não é meu objectivo proceder a uma história factual do fascismo nem compilar os acontecimentos que preencheram os vários regimes fascistas. Não faltam obras nesse domínio, não vejo razão para lhes acrescentar outra. Pressuponho que o leitor conheça, pelo menos em traços largos, os principais factos a que aqui faço referência e que para ele não sejam epitáfios obscuros os nomes daqueles muitos personagens que entre as duas guerras mundiais se agitaram e tentaram encontrar sentidos numa convulsão social profunda. Será pedir demasiado? Quando iniciei a minha vida política, as farsas e tragédias dessas figuras, as suas vilezas e heroísmos, as suas traições ou o seu martírio, os seus destinos perduravam ainda na memória colectiva de numerosos interessados. 
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Mas hoje, quando os grandes anseios ideológicos mudaram de temas e o que passa por política se centrou noutros interesses e cortou o fio ténue das recordações, sepultando-as no silêncio, haverá ainda razão para supor que daqueles nomes emane algum frémito que possa romper o tédio? Seja como for, não procuro aqui relatar episódios nem biografias, e é para isso aliás que servem as enciclopédias e se usa o Google. Assim, ao apresentar-se como um processo de reflexão, na continuidade de preocupações muito antigas, o livro não encontra nenhuma razão intrínseca para se encerrar. 

As descrições ocupar-me-ão apenas enquanto forma de interpretação. Nem se trata de descrições, mas de percursos pelos factos, escolhendo caminhos mais sinuosos do que directos, como quem deambula pelas ruas para pensar enquanto anda. Construí este livro como um mosaico de ensaios, e desde a primeira até à última página é assim que o leitor o deve considerar. Ou talvez como um puzzle a que faltam peças e onde outras parecem repetidas, sem que o estejam, porém. Um labirinto exclui a progressão linear e exige digressões, terei por vezes de regressar ao mesmo lugar para encará-lo sob um ângulo novo. Um leitor atento — mas existirá ainda alguém que leia com atenção mil e tantas páginas? — perceberá talvez que entre a primeira edição, que forma aqui o alicerce e o esqueleto, e esta versão, retrabalhada ao longo de mais de uma década, inseriu-se o traço de outras reflexões, novas abordagens, o nascimento 7 de dúvidas. Seria fácil, com uma limagem na revisão, tornar tudo isto imperceptível, mas preferi não o fazer. Um texto vive como o autor, e as suas circunvoluções internas acrescentam-se ao labirinto.


Numa época em que verosimilmente nenhuma faceta inédita do fascismo pode já ser descoberta e em que a consulta dos arquivos se limita a acumular detalhes, este livro justifica-se apenas na medida em que propuser uma perspectiva diferente de análise ou, pelo menos, na medida em que lançar outros olhares numa perspectiva que poucos têm adoptado. Só assim poderão, com algum fundamento, surgir novas dúvidas e questões e abrirem-se campos a esclarecer. Mas é estranho que o conhecimento dos próprios textos do fascismo falte à maior parte das obras históricas, como se o que os fascistas escreveram e escrevem não fizesse parte daquela mesma realidade. E assim as minhas deambulações pelos factos incluem os escritos, que não são menos factuais. O que deveras me interessa é, seguindo o fio de leituras de muitos anos e rememorando experiências directas, alinhar reflexões francamente contrárias a certos lugares-comuns que, à força de serem repetidos, se apresentam como evidências. Esta não é uma história do fascismo, mas a apresentação histórica de problemas que o fascismo revelou plenamente como tais e que continuam hoje por resolver. É outro, porém, o principal motivo que leva o livro a ser interminável. 

A história do fascismo não está concluída porque o fascismo é ainda uma realidade em suspenso. Ele foi destruído militarmente sem estar política e ideologicamente esgotado. O que resta, ao analisarmos uma época definitivamente morta, senão a piedade? Que outro olhar podemos lançar, que não seja o de uma ironia carregada de compaixão, ao seguirmos com minúcia as agitações de aztecas ou de merovíngios? Mas é inepto julgar que se pode analisar o nosso tempo sem interferir nele, porque a intervenção na sociedade é assegurada pelo mero facto de aí vivermos, e aliás a própria análise é uma intromissão. Os labirintos do fascismo não são só os meandros que até agora o derrotaram, mas ainda aqueles em que se perderam no fascismo tantos dos que haviam inicialmente sido seus inimigos. Neste sentido o labirinto aprisionou também os historiadores. 


O objectivo da história não se refere fundamentalmente ao passado. É o presente que nos deve interessar, porque é só dele que a nossa prática se ocupa. O inquietante é que apenas o futuro iluminará o sentido do que fazemos hoje, e imploramos à história que disperse o nevoeiro, pois no presente em que vivemos nós somos o indubitável futuro do passado que estudamos. Para um animal racional não podia haver ironia mais pesada, a de estarmos condenados a construir às cegas o nosso mundo, porque só os desenvolvimentos posteriores nos esclarecerão as contradições actuais. Conhecemos, sem dúvida, a nossa prática, mas 8 depois de a termos praticado, e talvez estejamos agora, sem o sabermos, a ocasionar paradoxos não menos macabros do que nos anos entre as duas guerras mundiais. 


O fascismo ocupou o ponto nevrálgico das contradições do movimento operário e, ao mesmo tempo, das contradições internas das classes dominantes. Ele não tem uma genealogia própria e exclusiva, como se encontra para o conservadorismo, o liberalismo ou o socialismo, mas constituiu-se pelo cruzamento destas três grandes correntes políticas. Não se pode estudar o fascismo sem olhar para os lados e sem seguir percursos em diagonal, já que o labirinto começou por ser uma encruzilhada. O fascismo situou-se também de modo muito contraditório nos vários planos a que é habitual remeter os comportamentos na sociedade moderna. Os fascistas actuaram politicamente na esfera económica, pretenderam fazer política como se fosse uma arte, admitiram para a arte uma inspiração estritamente política, remeteram a filosofia para o mundo da acção, reduziram a acção à vontade do espírito. A única coisa que me move a estudar o fascismo é a ambição de esclarecer, a partir deste amontoado de contradições, as ambiguidades mais íntimas do capitalismo, aquelas que produziram efeitos mais trágicos. Decidi, então, abordar o fascismo não a partir de fora, do campo claro das minhas certezas, mas desde o seu interior, nas encruzilhadas sociais e políticas em que se gerou e nos percursos paradoxais, quando não delirantes, em que prosseguiu a sua ideologia. E verifiquei que é muitíssimo difícil relacionar as consequências do fascismo, vistas a posteriori, com os quadros em que se gerou e primeiro se desenvolveu, quando conhecidos apenas a priori. Esta desarticulação na estrutura das causas e consequências é para mim o grande mistério do fascismo. Talvez estas páginas pareçam estranhas a quem as ler. 

Talvez não seja este o fascismo que as pessoas admitem que conhecem, e no espelho da minha visão é muito possível que as outras forças políticas surjam de maneira igualmente inusitada. Mas não escrevo para conforto do leitor, nem meu. É claro que se pusermos de lado tudo o que é incómodo podemos dormir descansados e apresentar como impolutas as paisagens políticas da nossa predilecção. Mas quando se somam os contra-sensos, os paradoxos, os becos sem saída, chega-se a uma altura em que é impossível continuar a usar modelos explicativos que deixam o fundamental por explicar. Na história, orientar-se no labirinto implica acima de tudo uma arqueologia do saber, a descoberta de velhas passagens ocultas, de portas tapadas por paredes, de esconderijos, de escadarias e corredores cujo acesso se mantinha secreto. Sejamos prosaicos, porque tudo tem uma expressão tipográfica. Esta arquelogia do saber faz-se olhando para a parte de baixo das páginas, para as notas de rodapé, e também entre as linhas, destacando o que é afirmado no corpo do texto e esquecido nas conclusões. Em matéria de ideologia o silêncio é uma parte do discurso — para a visão crítica é a componente fundamental — por isso quanto mais 9 exactamente se definir o lugar do silêncio, tanto mais gritante ele será e mais o abafarão numa pletora de palavras. Tal como, na arqueologia dos objectos materiais, os acúmulos de terra podem indicar que haja ali tesouros escondidos. 

Couverture de la première édition.
Para o historiador, descobrir não é simplesmente assinalar factos, mas rasgar as camadas do discurso proferido sobre factos. Os factos estão onde sempre estiveram, temos as suas acções e os seus efeitos incorporados em cada um de nós, independentemente de lhes sabermos da existência ou lhes conhecermos os processos. Por isso eles são factos. Mas não é com meros factos que a história se tece, embora seja a mais enganadora das formas ideológicas, porque oculta sempre a sua prosa por detrás da máscara empírica. Orientarmo-nos no labirinto da história é passar, mediante palavras, para além de outras palavras. E descobrimos então que muito do que tem sido dito se destina a silenciar o que não se quer dizer, com um tal grau de sistematicidade que, segundo uma lógica rigorosa, deveríamos afirmar que nestes assuntos o único e verdadeiro dito é o não dito. O que podem ser, no caso do fascismo, os silêncios da historiografia? O que a política do fascismo teve de propriamente fascista não foi a criação de factos, mas a emissão de discursos sobre os factos. O fascismo foi sempre um exercício de travestissement numa estética de trompe l’oeil. Como se conseguirá, então, romper o labirinto, se depois de rasgarmos os discursos da história e desvendarmos as suas perversidades chegamos, como objecto último, a um mero discurso, e o mais perverso de todos, o que teve como exclusiva razão de ser o revestimento dos factos numa cerimónia de máscaras? 

E vou adicionando as contradições sociais e políticas e estéticas daqueles anos entre as duas guerras mundiais, para ficar sempre com a certeza de que em vez de resolver as questões as desdobro em dúvidas ainda maiores, num labor que jamais poderá ter fim. Como alguém que fechado numa casa procura a saída para a rua, o jardim, o sol, mas que a cada porta que abre só entra em novas salas e quartos, com outras portas, que dão para outros quartos e salas. É um pesadelo, evidentemente. Se «o sono da razão produz monstros», não devemos afinal espantar-nos de viver um interminável pesadelo quando penetramos na desrazão alheia. Talvez, afinal, o labirinto seja o único modo de existência real do irracionalismo fascista, possível de ser destruído materialmente, mas não desarticulado intelectualmente. Se o segredo do irracionalismo consiste em convocar a acção para introduzir a coerência que falta no plano racional, só através de uma acção contrária se pode liquidar um tal artifício. Mas este confronto entre acções ocorre ainda no plano exterior à razão, por isso reforça o irracionalismo. E, se assim for, não será esta uma das ciladas menores do labirinto.



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