sábado, 23 de julho de 2016

Texto subterraneos

Desenterrar as palavras que ferem, que inquietam, que apaixonam, que atormentam, que comovem, que laceram a pele abrindo sulcos onde o sangue escorre vivo e quente fazendo-nos sentir vivos de ardor e paixão. O subterrâneo é o lugar da maldição, da danação, da excreção, é o lugar dos seres noctívagos, malfadados e nefários, dos vermes, é o espaço do oculto, do misterioso, do inominável. É dele que ansiamos extrair a antítese do existente para provocar a desordem e a inquietação nos espíritos que apaticamente por aí deambulam. Queremos que essas palavras venham à superfície e entoem as histórias, os pensamentos, as críticas, os cantos e invectivas impuras enterradas no subterrâneo pelos defensores desta realidade assepticamente pútrida. Sentimos essa necessidade asfixiante de libertar as vozes dessas criaturas que confrontam os fundamentos do estado de coisas instituído, trazendo à superfície escritos subversivos e malditos que não se conformem com o uso dócil, insípido e castrador da palavra. Somos a ratazana que na noite mais escura emerge para empestar este mundo de textos subterrâneos. 






segunda-feira, 4 de julho de 2016

RACISMO EM PORTUGUÊS O : Lado Esquecido do Colonialismo / Joana Gorjão Henriques

RACISMO EM PORTUGUÊS 
O Lado Esquecido do Colonialismo

«Porque não aprendemos na escola que existiu em Angola e em Moçambique um apartheid alimentado por Portugal, a potência que não hesitou em promover o trabalho escravo até 1974? Vamos perpetuar a narrativa de um colonizador que não discriminava porque se miscigenou com as populações locais, quando sabemos que as obrigava a despir-se da sua identidade africana, a mudar de nome, a alisar o cabelo ou a obliterar a sua língua? Até quando iremos contribuir para uma mentalidade acrítica sobre um dos fenómenos mais violentos da nossa história? Finalmente: o que revela esta perspectiva de brandura de olhar sobre nós próprios, portugueses?»
 
A partir de inúmeras entrevistas feitas em Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe, Joana Gorjão Henriques desconstrói o tema tabu do racismo no colonialismo português.

Ed. Edições Tinta da China - 232 PÁGINAS