Jornal COMBATE - 2 publicações Vosstanie Editions

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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Carlos Cavalheiro - A boca do lobo (1975)








Andam por aí os gestos do passado
Andam por aí os testos
Dos restos mortais dos tachos
De comida amarga
Que os que ainda vivem à larga
Nos querem fazer engolir
É a boca do lobo
A morder a nuca do povo
Anda aí o funeral dos parasitas
Anda aí o carnaval
Anda aí como aliás já se previa a cia
Quem é que não desconfia?
Quem é que se quer meter
Na boca do lobo
A morder a nuca do povo
Anda, a gente vai começar
A gente já começou
A gente vai acabar
A gente vai começar

Anda o camponês a puxar a carroça
Anda o operário a pourejar
Anda o grande capital e os latifundiários
A arranjar processos vários
De nos continuar a meter
Na boca do lobo
A morder a nuca do povo
O boca do lobo
A morder a nuca do povo
Andam por aí os restos do passado
Andam por ai os testos
Dos restos mortais dos tachos
De comida amarga
Que os que ainda vivem à larga
Nos querem fazer engolir
É a boca do lobo
A morder a nuca do povo
Anda a gente vai começar
A gente já começou
A gente vai acabar
A gente vai acabar

Com a boca do lobo
A morder a nuca do povo
A boca do lobo
A morder a nuca do povo

terça-feira, 4 de março de 2014

La contestation créatrice de Anibal Frias (LATITUDES n° 26 - avril 2006)

La contestation créatrice

Mouvements étudiants et “canto de intervenção” au Portugal

De gauche à droite : José Jorge Letria, Zeca Afonso, José Mário Branco, Adriano Correia de Oliveira et Ary dos Santos


"Un certain fado idéaliste et élitiste, nostalgique et même nationaliste, s’est transformé en une bannière dressée contre le fascisme, et porteuse d’espoir, avec Zeca et Adriano et bien d’autres à leur côté. Sans compter les milliers d’interprètes anonymes qui ont servi de relais en multipliant les voix de l’insoumission. Le chant d’intervention exprime ainsi la révolte en même temps qu’il la suscite. Le son mélodique avoisine le cri de la révolte : Vozes ao alto ! Élément esthétique pourvu d’une puissante charge emblématique, il fut lui-même le produit de circonstances particulières. On comprend dès lors que, la balada étant apparue avec les mouvements sociaux des années 60, elle se soit atténuée peu avant le 25 avril 1974. Quand, précisément, l’esthétique a cédé le pas à la politique, le canto faisant place à l’intervenção "