sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Pirates de la liberté / Xavier Montanyà

Histoire détonante d'un détournement de paquebot et de la lutte armée contre Franco et Salazar (1960-1964)

"Le 21 janvier 1961, des révolutionnaires espagnols et portugais exilés en Amérique latine détournent en haute mer un navire transatlantique portugais, le Santa Maria, avec un millier de passagers à bord. S’ensuivent douze jours de poursuite et de négociations diplomatiques intenses qui font la une des médias et tiennent le monde entier en haleine.
Ces hommes du Directoire révolutionnaire ibérique de libération (DRIL) agissent pour relancer la lutte armée contre Franco et Salazar, rappeler l’existence des deux dernières dictatures d’Europe et accoster dans leurs colonies africaines afin d’y créer un foyer de guérilla pour l’indépendance.
Ce récit captivant rend hommage à ces militants et révèle une part méconnue de l’histoire des combats contre les fascismes ibériques, tout en les replaçant dans le contexte politique international de l’époque (révolution cubaine, indépendances africaines, intégration de l’Espagne au bloc occidental…). À partir de cette prise d’otages spectaculaire, ce livre nous plonge dans l’Espagne franquiste des années 1960, explore ses mécanismes de répression et de propagande, son évolution interne, son alliance avec la dictature de Salazar, ou encore la collaboration des démocraties occidentales. Enfin, il décrit avec minutie la réactivation des résistances anarchistes et de l’action directe contre le régime de Franco autour de ce coup d’éclat du DRIL."

Éditions L'Echapée - Traduit du catalan par Raphaël Monnard 288 pages / 978-2-37309-003-1 / 20 euros


- VOIR AUSSI -

O DRIL (1959-61). EXPERIÊNCIA ÚNICA
NA OPOSIÇAO A0 ESTADO NOVO

D. L. Raby


De maneira geral, o Directório Revolucionário Ibérico de Libertação (DRIL) só é conhecido em Portugal pela sua acção mais espectacular, o assalto ao paquete Santa Maria em _laneiro-Fevereiro de 1961. O capitão Henrique Galvão, dissidente militar do regime de Salazar, dirigiu a operação pela parte portuguesa, em aliança com um grupo de Espanhóis chefiado por Jorge Sotomayor e José Velo Mosqueral. Embarcaram na Venezuela, alguns deles clandestinamente, outros como passageiros legítimos mas com armas escondidas nas bagagens, e depois tornaram conta do navio com o objectivo declarado de seguir rumo a África, para participar num movimento revolucionário contra o Estado Novo. Por motivos vários não chegaram a África, e, perseguidos pela Armada norte--americana, procuraram asilo no Brasil. Apesar do fracasso do objectivo original, a operação teve um impacto internacional sem precedentes e foi um golpe tremendo no prestígio do regime português.


Galvão participou na Operação Dulcineia, nome de código do assalto ao navio, como representante do Movimento Nacional Independente (MNI) do general Humberto Delgado, exilado no Brasil desde Abril de 19593. Com a aprovação dc Delgado, Galvão assinara em Janeiro de 1960 um acordo com os espanhóis em Caracas - acordo que terá sido, na sua versão, o acto fundador do DRIII. A impressão mais generalizada, aliás, é que o DRIL, sem dúvida uma interessante tentativa de criar uma frente única luso-espanhola de oposição, terá sido uma organização fantasma, pouco estruturada e efémera. A realidade porém, mais complexa e mais interessante.

Agora é possível afirmar que o DRH, foi a expressão orgânica de um movimento revolucionário luso-espanhol com ramificações internacionais de certa importância. Se foi efémero - depois de finais de 1961 já não existia na prática -, na sua breve existência chegou a ter um impacto importante e a preocupar seriamente os governos de Portugal, de Espanha e de vários outros países. Especificamente, há provas claras de que o DRIL tinha apoio cubano e talvez algum apoio não oficial do México, da Venezuela ou da Iugoslávia Na primeira fase da Revolução Cubana, o entusiasmo revolucionário pan-latino--americano levou os Cubanos a apoiar uma expedição contra o regime de Trujillo na República Dominicana e a patrocinar movimentos contra outras ditaduras latino-americanas, e também a solidarizar-se com os Espanhóis antifranquistas. Na Venezuela, embora o governo de Rómulo Betencourt procurasse manter boas relações com todos os países ocidentais. depois da revolução que em 1958 derrubou a ditadura de Pérez Jiménez, o ambiente era favorável a outros movimentos revolucionários. No México, único país latino-americano que nunca reconheceu o governo de Franco, também havia uma grande simpatia nos meios oficiais pelos republicanos espanhóis; simpatia que não chegava ao apoio declarado a movimentos revolucionários, mas também não excluía a tolerância, ou talvez um discreto apoio clandestino. 

La suite...


Sem comentários:

Enviar um comentário