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sábado, 19 de dezembro de 2015

O VOTO, AS ELEIÇÕES, O ESTADO: ARMAS DO CAPITAL




Ediçoes SPARTACUS, Lisboa Janeiro 1975.92p.


Aos trabalhadores interessa acabar com os patrões e não votar lado a lado com eles. Interessa-lhes tomar nas suas próprias mãos as fábricas, as empresas, os campos, etc., e não eleger os seus próprios exploradores.

Assim, as eleições surgem como meio de encobrir estas relações de exploração e a luta que daí resulta. Mais: a burguesia, ao fazê-las, pretende que esta luta de classes se transforme em colaboração de classes, isto é, que os trabalhadores ajudem a exploração de si próprios.

As eleições constituem antes e essencialmente um campo de manobra para os partidos que nelas participam e que representam todas as saídas possíveis, menos a única que interessa historicamente às massas trabalhadoras: á sua emancipação. A emancipação dos trabalhadores é obra dos próprios trabalhadores. Se estes a não realizarem, ninguém a realizará, pois ela não se delega em ninguém e muito menos no Estado capitalista que a impede violentamente e nos partidos que sempre utilizaram o proletariado para os seus fins de partidos defensores da exploração actual ainda que sob outra forma.

De facto, as massas trabalhadoras só se poderão emancipar lutando radicalmente contra todas as instituições burguesas e levando até às últimas consequências a sua destruição, isto é, agudizando o caos económico do capitalismo, contrapondo-lhe e realizando já na prática o comunismo.




quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Tarrafal - Memórias do Campo da Morte Lente

Tarrafal - Memórias do Campo da Morte Lente



Un film de Diana Andringa 2011. 1H30


"Chamavam-lhe “o Campo da Morte Lenta”. Os críticos, naturalmente. Que as autoridades, essas, chamaram-lhe primeiro, entre 1936 e 1954, quando os presos eram portugueses, “Colónia Penal de Cabo Verde” e, depois, quando reabriu em 1961 para nele serem internados os militantes anticolonialistas de Angola, Cabo Verde e Guiné, “Campo de Trabalho de Chão Bom”. Trinta e dois portugueses, dois angolanos, dois guineenses perderam ali a vida. Outros morreram já depois de libertados, mas ainda em consequência do que ali tinham passado. Famílias houve que, sem nada saberem o destino dos presos, os deram como mortos e chegaram a celebrar cerimónias funebres. “Ali é só deixar de pensar. Porque, se não, morre aqui de pensamentos. É só deixar, pronto. Os que têm vida ficam com vida. Nós aqui estamos já quase mortos.” A frase é do angolano Joel Pessoa, preso em 1969 e libertado, com todos os outros presos do campo, em 1 de Maio de 1974. No 35º aniversário desse dia, a convite do presidente da República de Cabo Verde, Pedro Verona Pires, os sobreviventes reencontraram-se para um Simpósio Internacional sobre o Campo de Concentração do Tarrafal. “Tarrafal: memórias do Campo da Morte Lenta” resultou desse reencontro. Durante os dias em que os antigos presos voltaram ao Tarrafal, gravámos entrevista após entrevista, registando as suas recordações.
Trinta e dois presos, desde o português Edmundo Pedro, um dos que o estreou, em 1936, aos angolanos e caboverdianos que foram os últimos a deixá-lo, no 1º de Maio de 1974, passando pelos guineenses que, ali chegados em Setembro de 1962, saíram em 1964 uns, em 1969 os restantes. Um guarda, Joaquim Lopes, caboverdiano e convertido ao PAIGC. Uma das raras pessoas que testemunhou a vida no Tarrafal desde a sua abertura ao seu encerramento, Eulália Fernandes de Andrade, mais conhecida por D. Beba. O documentário faz-se das memórias dos antigos presos, filmados nesse espaço confinado em que viveram durante anos, “fechados como se fôssemos cabras, com um fosso à volta, arame farpado e um muro, com os nosso irmãos, armados, a guardarnos.” (Evaristo Miúdo). Ouvimo-los sentados, quase todos, ao lado da “holandinha” – uma cela de castigo, pouco mais alta que um homem em pé, pouco mais comprida que um homem deitado, pouco mais larga que um homem sentado, com uma pequena janela gradeada.

Trinta e dois presos, desde o português Edmundo Pedro, um dos que o estreou, em 1936, aos angolanos e caboverdianos que foram os últimos a deixá-lo, no 1º de Maio de 1974, passando pelos guineenses que, ali chegados em Setembro de 1962, saíram em 1964 uns, em 1969 os restantes. Um guarda, Joaquim Lopes, caboverdiano e convertido ao PAIGC. Uma das raras pessoas que testemunhou a vida no Tarrafal desde a sua abertura ao seu encerramento, Eulália Fernandes de Andrade, mais conhecida por D. Beba.

O documentário faz-se das memórias dos antigos presos, filmados nesse espaço confinado em que viveram durante anos, “fechados como se fôssemos cabras, com um fosso à volta, arame farpado e um muro, com os nosso irmãos, armados, a guardarnos.” (Evaristo Miúdo). Ouvimo-los sentados, quase todos, ao lado da “holandinha” – uma cela de castigo, pouco mais alta que um homem em pé, pouco mais comprida que um homem deitado, pouco mais larga que um homem sentado, com uma pequena janela gradeada.

Esta é a história de homens a quem quiseram destruir toda a esperança e que souberam resistir até à vitória: Porque no Tarrafal nós inventámos a vida, sempre!"
 


 TESTEMUNHOS

- por ordem de entrada no filme -


Edmundo Pedro (Portugal)
Eulália de Andrade, D. Beba (Cabo Verde)
Joaquim Lopes, guarda (Cabo Verde)
Cândido Joaquim da Costa (Guiné)
Caramó Sanhá (Guiné)
Francisco Mendes Vieira (Guiné)
Manuel Neves Trindade (Guiné)
Carlos Sambu (Guiné)
Augusto Pereira da Graça (Guiné)
Macário Freire Monteiro (Guiné)
Nobre Pereira Dias (Angola)
Amadeu Amorim (Angola)
Fernando Correia (Guiné)
Mário Soares (Guiné)
Jorge da Silva (Guiné)
Agnelo Lourenço Fernandes (Guiné)
Lote Sachicuenda (Angola)
Augusto Kiala Bengue (Angola)
Evaristo “Miúdo” (Angola)
Silva e Sousa (Angola)
Joel Pessoa (Angola)
Lote Soares Sanguia (Angola)
Jaime Cohen (Angola)
Alberto Correia Neto (Angola)
Vicente Pinto de Andrade (Angola)
Justino Pinto de Andrade (Angola)
Carlos Tavares (Cabo Verde)
Luis Fonseca (Cabo Verde)
Jaime Scofield (Cabo Verde)
Luís Mendonça (Cabo Verde)
Arlindo Borges (Cabo Verde)
António Pedro Rosa (Cabo Verde)
Pedro Martins (Cabo Verde)

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Mouvements de gestion directe au Portugal (Autogestion et Socialisme n° 33-34)

 Autogestion et Socialisme n°33 à 34
mouvements de gestion directe au Portugal - Janvier - Mars 1976.



Nous publions, dans ce numéro, comme nous l'avions annoncé, un ensemble d'études et de documents sur le Portugal. On pourra estimer que cela vient un peu tard et qu'encore une fois, comme l'oiseau de Minerve, nous ne prenons notre vol qu'au crépuscule.
Cette mésaventure nous est, en effet, déjà arrivée à propos de la Tchécoslovaquie. La documentation de premier ordre, rassemblée traduite et présentée par Joseph et Vladimir Fisera, ne put paraître qu'après que «l'aide fraternelle y compris une aidée armée», spontanément apportée par «les pays du pacte de Varsovie» eut privé l'intense mouvement des conseils ouvriers de toute perspective. Le printemps de Prague fut gelé.(...)

A cause du retard que nous avions pris, nous avons,, de nouveau, recours au numéro double et ajoutons à ces textes sur le Portugal un ensemble d'articles qui ouvrent un débat sur le sens actuel du marxisme.


Première partie

Révolution des oeillets et actions autonomes au Portugal

Yvon BOURDET: Révolution et institutions

Par un collectif de Porto du journal Combate: L'autogestion au Portugal: sa portée et ses limites

Béatrice d'ARTHUYS et Marielle Christine GROS :
 Les commissions de «Moradores» : Organisation ou pouvoir populaire

Documents

I - Liste des entreprises en lutte

Il -Textes écrits par les travailleurs

III - Visites de coopératives

IV -Textes d'organisations: Luar, Copcon, Mes

Note bibliographique: Publications en français sur la révolution portugaise

Deuxième partie

Débat sur le marxisme (Léninisme-stalinisme ou autogestion)

Henri LEFEBVRE: Une interview

Maximilien RUBEL: Le concept d'autopraxis du prolétariat

A propos d' A. Glucksmann, la cuisinière et le mangeur d'hommes:

Louis JANOVER: Le marxisme dans leurs têtes

Christine FAURE: Pourquoi j'ai aimé ce livre?

Yvon BOURDET: Marxisme et théorie révolu­tionnaire, lecture de Cardan, relecture de Cas-toriadis

Chroniques

Olivier CORPET: Communautés de base et

autogestion en Afrique

Peretz MERHAV: Crise au Kibboutz ?

Joseph PISERA: Dossier: Conscience et conscientisation (En partant du «Portugal» vers la confirmation de l'importance des recherches de Paulo FREIRE et de ses collègues)

Comptes rendus

Fourier en ce temps-ci (C. MAILLARD)

Charles FOURIER: Vers la liberté en amour Textes choisis et présentés par Daniel Guérin (C. MAILLARD)

Simone DEBOUT: «Griffe au nez» ou donner «hâve ou art» écriture inconnue de Charles Fourier (C. MAILLARD)

Karl KORSCH: Marxisme et contre-révolution, dans la première moitié du XXème siècle (Yvon BOURDET)

Guy Le BOTERF: Formation et Autogestion (Jacques GUIGOU)

Philippe KAEPPELIN: Pratique de l'autogestion éducative Le stage de formation pour adultes (Jacques GUIGOU)

Rémi HESS: La Socianatyse (Jacques GUIGOU)

Yvon BOURDET et Alain GUILLERM: L'Autogestion (Jacque­line PLUET)

Jean-François REVEL: «La tentation totalitaire» (Olivier CORPET)

F.DOMELA NIEUWENHUIS: «Le socialisme en danger» (Gilles BATAILLON)

Livres reçus 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O jornal combate e as lutas sociais autonomistas em Portugal durante a revolução dos cravos (1974 1978) / Danúbia Mendes ABADIA

O jornal combate e as lutas sociais autonomistas 
em Portugal durante a revolução dos cravos
(1974 1978)

Danúbia Mendes ABADIA


https://www.mediafire.com/file/k7111vc7cg01gum/O%20jornal%20combate%20e%20as%20lutas%20sociais%20autonomistas%20.pdf



"O golpe realizado pelo Movimento das Forças Armadas em 25 de Abril de 1974 marcou o fim de 48 anos do regime fascista em Portugal. No entanto, logo após o 25 de Abril, a reorganização das novas estruturas de poder e a retomada do processo de acumulação do capital no país era desestabilizada por um vasto processo de autoorganização dos/as trabalhadores/as. O desenvolvimento da prática autogestionária das lutas nas empresas, nos bairros, nos campos e nas colonias portuguesas foram acompanhadas pelo coletivo que organizou o jornal COMBATE, entre junho de 1974 e fevereiro de 1978; foi a partir do acompanhamento das lutas autonomistas que tomavam lugar no processo da revolução que o COMBATE pode diagnosticar, in loco, a processualidade no modo de desenvolvimento do capital, assim como as diversas formas de organização autônoma da classe trabalhadora."



domingo, 6 de dezembro de 2015

PORTUGAL: UNE COMMISSION DE TRAVAILLEURS TROIS ANS APRES

25 avril 1974 - 25 avril 1977
PORTUGAL: UNE COMMISSION DE
TRAVAILLEURS TROIS ANS APRES
Aux transports aériens portugais: 
 l'exemplaire montée de la droite

« Ma présence — à titre personnel dans l'Intersyndicale — s'inscrit dans la ligne d'unité que j'ai toujours défendue. Les partis doivent effacer leurs divergences au niveau syndical. L'entente doit être faite non entre les partis mais entre les hommes ayant une plate-forme commune. Les travailleurs ne doivent pas opter en fonction de leurs partis mais de leur classe » : quelques jours avant que Mario Soares ne définisse la « ligne syndicale » du PS en condamnant notamment la présence de militants du PS dans l'Intersyndicale, Kalidas Barretto, un des dirigeants ouvriers les plus importants du Portugal, militant de l'aile gauche du PS nous réaffirmait la nécessité de « l'unité à la base ».

Selon Kalidas Barretto, le refus de cette unité de la part du PS ne pourra à terme, et si il se poursuit que faire perdre au PS toutes ses commissions syndicales et éloigner de ses rangs tous les dirigeants syndicaux. Déjà la politique du gouvernement socialiste a entraîné la démobilisation de nombreux militants socialistes ainsi que la perte de plusieurs commissions syndicales ou de travailleurs pour le PS. Ainsi « l'indéfinition » de la ligne syndicale du PS et sa méfiance à faire une alliance avec les travailleurs de gauche a permis au PSD (ex-PPD) de remporter les élections à la Caisse générale des dépôts. Il en est de même au « Syndicat des banques du sud » où la direction syndicale socialiste a été battue par le PSD alors que l'ensemble des voix PS-PC atteignait le double de celles obtenues par le PSD. Si il est vrai que la coalition de droite PSD-CDS ne l'a jamais emporté dans les entreprises où les ouvriers sont majoritaires, leurs récentes victoires dans les entreprises ayant un secteur tertiaire très développé est inquiétante. Le cas de la TAP est à ce sujet significatif.

Une commission de travailleurs refusant de convoquer une assemblée générale et — ce que même la direction de l'entreprise ne fait pas — interdisant aux travailleurs de se réunir sur leur lieu de travail. Telle est, trois ans après le 25 avril, la situation dans une entreprise qui a pourtant derrière elle une tradition de lutte remontant bien avant la « Révolution des capitaines » : les Transports aériens portugais (TAP).

Une entreprise, il est vrai pas tout à fait comme les autres. « Mini-Portugal », disent les uns, faisant allusion à la présence au sein même de la TAP de la hiérarchie des salaires existant à l'échelle nationale : le plus fort salaire du pays est actuellement celui de son président. « Première multinationale portugaise » rétorque la direction se référant au fait que sur les 9000 travailleurs de la TAP, 1200 environ sont employés à l'étranger. « Entreprise dans laquelle réaliser une unité de lutte relève de l'exploit », expliquent les ouvriers qui se savent très minoritaires (environ un tiers des effectifs) face au personnel administratif et « volant ».

Mais, exemple significatif aussi du reflux actuel des « organisations de base » et des difficultés rencontrées par les travailleurs, lorsque, comme c'est le cas à la TAP, les Commissions de travailleurs (CDT) sont contrôlées par la coalition de droite PSD-CDS (parti social démocrate, ex-PPD — Centre démocratique et social) pour faire respecter des droits élémentaires, notamment le droit de réunion. Significatif aussi des conséquences du « partidarisme » et de la « désunion » de la gauche : la coalition PSD-CDS a pu prendre le contrôle de la CDT d'une part parce que les luttes partidaires ont divisé les travailleurs. D'autre part parce que le personnel administratif et les « volants » , traditionnellement conservateurs, ont profité du nouveau rapport de forces instauré dans le pays après le 25 novembre pour se faire entendre, aidés en cela par l'attitude du PS et aussi du PC.

TRADITION DE LUTTE

En 1973, les ouvriers de la TAP font grève et affrontent pour la première fois la police de choc de Caetano qui les expulse des locaux. Trois ans auparavant, en 70, les ouvriers métallurgiques du district de Lisbonne, s'engouffrant dans la timide « ouverture » syndicale de Caetano (très relative puisque les réunions étaient interdites), parviennent à battre la liste fasciste lors des élections du syndicat des Métallos. La majorité de la direction du Syndicat des Métallos est alors composée de travailleurs de la TAP. Mais la direction des métallos ne fonctionnera que quatre mois. Caetano, destituant et emprisonnant en 70 son président, Santos Junior.

LE PIEGE DE LA CO-GESTION

En avril 74, les ouvriers de la TAP sont parmi les premiers à exiger, après l'avoir décidé en assemblée générale, l'expulsion de la direction fasciste. Immédiatement les ouvriers, auxquels se sont joints de nombreux employés, désignent trois travailleurs pour gérer l'entreprise tandis que la « Junte de Salut Nationale » nomme les autres membres de la direction. «  Nous avons fait une erreur en désignant ces trois personnes : c'était admettre la co-gestion. Erreur d'autant plus grave qu'en acceptant l'augmentation de leur salaire de 11 000 à 52 000 escudos, deux des trois ouvriers ont porté un coup terrible aux travailleurs qui ont exigé leur départ de l'administration. Dès lors, la nomination des administrateurs a été du ressort du gouvernement », se souvient Santos Junior qui fit pantie des trois commissions créées après le 25 avril (CDT, Commission syndicale et commission d'assainissement).

LA MILITARISATION DE LA TAP

Très vite, les ouvriers réclament une réduction de l'échelle des salaires, le gel des salaires, la révision des horaires de travail (les « administratifs » font 37 h 1/2 par semaine, les ouvriers 40 à 44 heures). Dans les assemblées, le tertiaire et les « volants» s'opposent aux ouvriers tandis que le CPC les condamne. Au nom de la « sauvegarde de l'économie portugaise » et en les accusant d'être « manipulés par la CIA La paralysie d'un hangar entrainera l'intervention des commandos et de Jaime Neves.

Neves pointait sa G3 sur les ouvriers en leur ordonnant de reprendre le travail. Bien qu'il ait quasiment pris un travailleur en a otage a dans un Chaimite, nous avons refusé de le faire », se souvient un ouvrier. Sept ouvriers désignés par le PC comme « agitateurs a ont été expulsés et conduits dans une caserne : une gigantesque manifestation de rue a exigé leur libération puis leur réintégration.

LUTTES PARTIDAIRES

Viennent alors les élections pour les CDT : véritables luttes partidaires, elles ont, de six mois en six mois, divisé les travailleurs. Leur « coloration » politique suivra à peu près l'évolution de la situation politique portugaise : la première CDT était composée essentiellement d'indépendants et d'éléments de gauche révolutionnaire, la seconde contrôlée par le MRPP, la troisième par le PS, la quatrième aujourd'hui par la coalition PSD-CDS !

Comment expliquer ce « glissement » ? Le 25 novembre a marqué la transition d'une commission à une autre. Le PS a profité du nouveau climat politique pour, en s'appuyant sur les éléments les plus conservateurs, prendre le contrôle de la CDT. « C'est la commission PS qui a ouvert la voie au PSD et au CDS, explique un métallo de la TAP. Elle refusait les AG, affirmait cyniquement qu'elle ne respectait pas les statuts, imposait que toute le personnel de la TAP, y compris les employés en poste aux USA ou ailleurs aient le droit de vote ; ne discutait jamais de nos problèmes. Le vote secret, le refus de tenir des AG, les nouveaux statuts impossibles à discuter, qui caractérisent aujourd'hui notre situation sont le fruit du travail du PS ».

Lors de la discussion des statuts de la CDT, la division de la gauche a permis au PSD-CDS d'imposer son statut contre les trois statuts différents présentés par le PC, le MRPP et le PS. Résultat : le PSD a imposé son statut avec 1000 voix tandis que le PS en obtenait 800, le PC 400 et le MRPP 120. Mais surtout, fait significatif de l'écoeurement et de la démobilisation de la plupart des travailleurs à l'égard des affrontements partidaires, du refus d'alliance de la gauche et de l'impossibilité de discuter des statuts... 6700 travailleurs se sont abstenus ! Le coup de semonce donné par l'approbation des statuts du PSD-CDS a toutefois créé un sursaut chez les « indépendants » qui ont tenté d'unir toutes les forces de gauche pour éviter la victoire prévisible de la droite à l'élection de la CDT en février dernier. En vain. « Le PS a refusé de parler avec le PC, le MRPP aussi. Le PC a parlé de faire plusieurs réunions unitaires pour combattre la droite mais n'a rien changé à ses pratiques sectaires en tentant de tout hégémoniser. Les indépendants voulaient appeler à une réunion de tous les anti-fascistes de la TAP pour discuter des programmes des différentes listes. Le PC a répondu que « le terme anti-fasciste » divisait les travailleurs. Finalement, les indépendants n'ont plus participé aux réunions », rapporte un syndicaliste ouvrier.

Le PSD-CDS n'a eu qu'à tirer les marrons du feu, aidé en cela par l'avancée générale de la droite : sa liste l'a emporté lors des élections pour élire les représentants de la CDT avec 2000 voix (le plein des voix du personnel d'aviation notamment), le PS obtenant 1800 voix, le PC 1400 et 3000 travailleurs préférant s'abstenir.

UNITE TARDIVE

Il a fallu cette énorme défaite pour que PC, PS et MRPP s'unissent et élisent un secrétariat. Trop tard : la CDT est aujourd'hui bien en place et refuse tranquillement de convoquer une AG, refuse toute salle de réunion, intervient dans le champ syndical... « La commission est plus à droite que la direction, dit un métallo. La crise économique ouvre cependant de bonnes perspectives de lutte. Mais j'ai très peu confiance : chacun va tenter à nouveau de tirer la couverture à soi »

Pendant ce temps, la direction de la TAP déclare que le déficit important de la compagnie est dû aux «revendications exagérées des travailleurs et à la crise du tourisme ». « Faux, répond l'un des dirigeants ouvriers de la TAP. La direction a décidé une augmentation des gérants de 4500 escudos par mois alors que les ouvriers n'ont pas été augmentés de plus de 700 escudos. C'est la première fois depuis le 25 avril que la direction décide d'abandonner la politique de gel des salaires. Ainsi va le Portugal. Mais cela va peut-être nous permettre aussi de remobiliser les travailleurs ».




Libération le 27 avril 1977

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Les Grandes Ondes (à l'ouest) en DVD

Les Grandes Ondes (à l'ouest) 


Avril 1974. Deux journalistes de la radio sont envoyés au Portugal pour réaliser un reportage sur l’entraide suisse dans ce pays. Bob, technicien proche de la retraite, les accompagne à bord de son fidèle combi VW. Mais sur place, rien ne se passe comme prévu : la tension est à son comble entre Julie, la féministe, et Cauvin le reporter de guerre roublard. La bonne volonté de Pelé, le jeune traducteur portugais, n’y fait rien : la petite équipe déclare forfait. Mais le vent de l’Histoire pousse le Combi VW en plein coeur de la Révolution des Oeillets, obligeant cette équipe de Pieds nickelés à prendre part, et corps, à cette folle nuit du 24 avril 1974.

est un film suisse réalisé par Lionel Baier, sorti en 2013 en Suisse
85 minutes

Décalé, frais et poétique......en DVD.



sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Portugal. L'autre Combat. Classes Et Conflits Dans La Société (1975) [PDF]



Le fascisme portugais: ses caractères, sa base sociale, les raisons de son effondrement. Le poids de la situation coloniale et le rôle joué par les mouvements nationalistes africains. Le MFA, sa nature, ses objectifs: quelle leçon tirer du rôle de l'armée dans la crise portugaise? Les origines et les expériences du mouvement ouvrier au Portugal? Les suites du 25 avril dans les usines et les chantiers. L'attitude des organisations politiques, du PC, de l'armée et de la bourgeoisie face à un mouvement social sans précédent. Qu'est-ce que le pouvoir de la gauche vis-à-vis des travailleurs en lutte?


 

 PORTUGAL
 - 
 L'Autre Combat. Classes et Conflits dans la Société

F. Avila, C. Ferreira, B. Lory, C. Orsoni, Charles Reeve.


Paris : Spartacus, 1975 [mai-juin]. — 220 p. (Spartacus. Série B ; 61)

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TABLE DES MATIERES

CLASSES ET CONFLITS DANS LA SOCIETE PORTUGAISE


LA FIN D'UN RÉGIME
La crise de la société portugaise .
Les origines du MFA et le coup d'Etat du 25 Avril 1974 .
Force et faiblesse du Mouvement des Forces Armées

RÉFORMISME ET ANTIFASCISME
Le besoin capitaliste de briser le carcan corporatiste .
Les inquiétudes de la bourgeoisie .

LE MOUVEMENT OUVRIER ET SES ORIGINES
La naissance d'une nouvelle classe de producteurs .
Les mouvements de grève de 1968-70
La condition ouvrière dans les secteurs retardataires
Le mouvement ouvrier après le 25 Avril, organisation et dynamique
face à la résistance du Capital .

LES COMMISSIONS DE TRAVAILLEURS APPARAISSENT
La campagne anti-grève du PC
La grève des Postes (Juin 1974) et le rôle du PC
L'épreuve de force 68

AUTONOMIE OUVRIÈRE CONTRE POUVOIR SYNDICAL
L'illusion du « syndicalisme de base »

SOLIDARITÉ DE CLASSE ET CRITIQUE DE «L'INTÉRÊT GÉNÉRAL »
Maoïsme et projet révolutionnaire
La bourgeoisie et la stratégie du PCP
Les conflits inter-capitalistes
Le projet anti-monopoliste du PCP

QUESTION COLONIALE ET QUESTION NATIONALE.
Le destin des organisations nationalistes
L'effondrement des anciens rapports coloniaux
Les origines des mouvements nationalistes .
Indépendance nationale et solidarité prolétarienne
« Avec le capitalisme surgira le combat contre le capitalisme »

CONCLUSION

POSTFACE

CHRONOLOGIE

UNE LUTTE EXEMPLAIRE

Les travailleurs de la TAP face au PCP et à l'armée « démocratique »

DOCUMENTS

TEXTES POLITIQUES

Le Mouvement des Forces Armées et la Nation
Discours de Alvaro Cunhal
Le contingent contre la guerre .
Petites perles de la « nouvelle démocratie »

TEXTES DU MOUVEMENT OUVRIER 
Questions d'organisation - les nouveaux syndicalistes
Les organisations de lutte
La solidarité et les liaisons inter-entreprises

NOUVELLES FORMES D'ACTION

LE RÔLE DU PARTI COMMUNISTE ET LA RÉACTION OUVRIÈRE 

Discussion politique

CE QUI A CHANGÉ 

ELÉMENTS POUR UNE HISTOIRE DU MOUVEMENT OUVRIER PORTUGAIS ET DE
SA TENDANCE SYNDICALISTE-RÉVOLUTIONNAIRE AU DÉBUT DU SIÈCLE 





sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Les Oeillets Sont Coupés - Chroniques Portugaises Charles Reeve (PDF)

Les Oeillets Sont Coupés
 Chroniques Portugaises 

Charles Reeve


 http://www.mediafire.com/view/3a9nruwzrnkdroc/reeve-les-oeillets-sont-coupes.pdf


Un grand merci à Nono pour le boulot....



Voir aussi 


La conception putschiste 
de la révolution sociale. 
Le rôle de l'armée ou la conception bourgeoise de la révolution.
Avec Charles Reeve 
(Autour de l'ouvrage édité aux Editions Spartacus en 1976) 



(Itinéraire bio-bibliographique)

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Nouvelles lettres portugaises / Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Maria Velho Costa

"Qui sont “les trois Maria*" ? Toutes trois femmes portugaises, écrivains. Elles décident un jour d'écrire ensemble sur la condition féminine. Elles choisissent un fil conducteur : le destin de Mariana Alcoforado, la religieuse des Lettres portugaises, parce qu’elle a enfreint la Loi et parce que sa clôture symbolise tous les “ enfermements " de la femme : dans une éducation spécialisée, dans le mariage. dans la maternité, dans le travail domestique ou le travail salarié dévalorisé, dans son rôle rôle d'objet sexuel sa situation immémoriale de "côte superflue d'Adam"

Le livre trouve difficilement un éditeur. Dénoncé à la censure, il est saisi un mois après sa publication et ses auteurs, poursuivies pour outrage à la morale publique et aux bonnes mœurs, risquent la prison. Le changement de régime politique au Portugal coïncide avec leur acquittement en mai 1974.
Révélées partout dans le monde, l'existence de ce "chef-d’œuvre interdit" et les persécutions dont ont été victimes "les trois Maria" ont suscité une mobilisation sans précédent des mouvements féministes d'Europe et d'Amérique. où le livre est en traduction dans une dizaine de pays."

*  Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Maria Velho Costa

Éditions du Seuil coll. Combats 1974.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Bom Povo Português de Rui Simões, 1981 - VOSTFR / 135 min



Bom Povo Português de Rui Simões, 1981 - VOSTFR/ 135 minutes.


Bom Povo Português de Rui Simões, 

Ou à l'achat uniquement en langue portugaise.


LE PRINTEMPS DE L'EXIL de film de José Vieira

LE PRINTEMPS DE L'EXIL
LE PRINTEMPS DE L'EXIL 

Un film de José Vieira  - 52 minutes en DVD.

Le printemps de l'exil est l'histoire de trois hommes qui ont fui le Portugal dans les années 60 parce qu'ils refusaient d'être enrôlés dans une guerre coloniale. Ils se sont connus à Paris et ont participé activement au mouvement de mai 68. À travers le récit de leurs luttes contre la dictature de Salazar, ils racontent le pays d'où ils venaient, l'oppression qui sévissait au Portugal. Après la chute de la dictature le 25 avril 1974, ils sont revenus à Lisbonne. Dans les archives de la PIDE, la toute- puissante police politique, nous retrouvons leurs noms : José Mario Branco, Vasco de Castro et Fernando Pereira Marques. Les traces de leurs chansons, de leurs pièces de théâtre, de leurs journaux et dessins, retrouvées dans les archives en France, témoignent du combat qu'ils ont mené contre le fascisme. 

Guerra ou Paz de Rui Simões (2012)

 un film de Rui Simões / 97 minutes -


Entre 1961 e 1974, 100.000 jovens portugueses partiram para a guerra nas ex-colónias. No mesmo período, outros 100.000, saíram de Portugal para não fazer essa mesma guerra. Em relação aos que fizeram a guerra já muito foi dito, escrito, filmado. Em relação aos outros, não existe nada, é uma espécie de assunto tabu na nossa sociedade. Que papel tiveram esses homens que "fugiram à guerra" na construção do país que somos hoje? Que percursos fizeram? De que forma resistiram?

From 1961 to 1974, 100.000 young Portuguese men went to war in the ex-colonies. At the same time, another 100.000 left Portugal to avoid that same war. About the ones who made the war a lot has been said, written and filmed. About the others nothing has been said, it is a sort of taboo of our society. What role did the men who "escaped the war" in the creation of the country we live in now? In what way did they resist? If there is an image of the unknown soldier, this film tries to show that other unknown man who refused to be a soldier.
 

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O Pulsar da Revolução Cronologia da Revolução do 25 de Abril

O Pulsar da Revolução 
Cronologia da Revolução do 25 de Abril (1973-1976) 
de Boaventura de Sousa Santos, Maria Manuela Cruzeiro, Maria Natércia Coimbra

O Pulsar da Revolução Cronologia da Revolução do 25 de Abril (1973-1976)
2ª edição, 376 pages 1997-2000. Edições Afrontamento / Centro de Documentação 25 de Abril

Une chronologie qui ne s'axe pas uniquement sur les événements politico-militaires mais aussi sur le  mouvement social et culturel. Ainsi l'ouvrage comprends en regard une vaste iconographie (photographies, caricatures, autocollants, peintures murales, couvertures de livres etc... l'ouvrage est complété par une liste des sigles et d'une bibliographie. Il s'agit certainement de la chronologie la plus intéressante consultée à ce jour. Que l'on peut retrouver aussi en ligne.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

La gauche radicale de Miguel Cardina

Un petit travail de synthèse sur l'extrême gauche au Portugal et sur le poids du Maoïsme. Bien sur il ne faut pas prendre l'apparition des organisations pour la vérité des mouvements.

As décadas de 1960 e 1970 assistiram à afirmação de uma nova esquerda fortemente apostada em transformar o existente. Apesar da sua configuração plural, este cosmos rebelde teve características comuns, que foram da rejeição das hegemonias oriundas da guerra-fria à crítica profunda aos modelos tradicionais de autoridade. Este livro pretende lançar um olhar panorâmico sobre as grandes linhas ideológicas que marcaram a época, dando relevo à maneira como elas se plasmaram no território português. 

Angelus Novus 120p. 9€ -  ISBN: 9789728827700

terça-feira, 18 de agosto de 2015

A Revolução Portuguesa / Ronald H. Chilcote

A Revolução PortuguesaEstado e Classes Sociais na Transição para a Democracia, 

Centrando-se na experiência revolucionária portuguesa de 1974 e 1975, este livro pretende fornecer uma perspectiva histórica global do século XX, ocupando-se de quatro temas principais: o capitalismo e as formações estatais no Portugal do século XX; o esforço subsequente ao golpe de 25 de Abril de 1974 no sentido de concretizar uma transição para o socialismo; a luta de classes, as instituições tradicionais e os novos movimentos sociais e populares que emergiram durante o período revolucionário de 1974 e 1975; e finalmente a questão da hegemonia, antes, durante a revolução e até final do século XX. Ao mesmo tempo, através do exame do caso português o autor procura também desenvolver uma análise teórica do papel do Estado e das suas relações com as classes sociais. 

Ronald H. Chilcote, 312 pp., 2014, ISBN: 978-972-36-1365-0 - Edições Afrontamento. Tradução de Mario Machaqueiro.

sábado, 4 de julho de 2015

Portugal Libertario N°4 - Janeiro 1974




O que é ? LUAR



A razão de ser da série CADERNOS DE DIVULGAÇÃO deve-se à circunstância, simples e quase cómica, de todo um Povo ouvir falar em siglas de movimentos, partidos ou associações, sem saber do que concretamente se trata. E assim se tecem conjecturas, se fazem especulações e se embarca em boatos.
Exactamente, em boatos. Ouve-se dizer que o grupo tal é esquerdista, mas aventureiro, desonesto, ligado à CIA... Acredita-se que o movimento tal é contra-revolucionário porque contradiz as afirmações públicas de quem tem a voz mais audível... Propaga-se que a associação tal não é tão virgem de contactos com a outra senhora, porque não sei quê...
Ora, para pôr as coisas no seu devido lugar e ficar todo o Povo elucidado, não há como fazer uma informação exaustiva e, sem medo nem arrogância, dizer a VERDADE.
Depois que cada cidadão escolha livremente com quem quer dialogar ou com quem, em definitivo, não quer trocar palavra. Só isto.

Sumário

- Para a organização de um exército popular ...

- Fala Hermínio da Palma Inácio (entrevista exclusiva) ...

- O último número clandestino da «Fronteira» ...

- Fernando Pereira Marques dá alguns apontamentos sobre a Revolução ... ...

- LUAR: Manifesto de Agosto de 1974 ...

- A LUAR e o PCP ... ...

- A LUAR e outros agrupamentos políticos

- A LUAR e a luta dos trabalhadores ...

- A LUAR e o 28 de Setembro

- A LUAR e o 11 de Março ...

- A LUAR após o 1.° Congresso 


Ed. Agencia Portuguesa de Revistas 1975 123p.




terça-feira, 23 de junho de 2015

Associação Memoriando


A visiter ce site dédié aux Brigades Révolutionnaires (Brigadas Revolucionárias (BR) ) et au Parti révolutionnaire du Prolétariat  (Partido Revolucionário do Proletariado (PRP). Chronologies, biographies, de nombreuses images du son etc...


"Este site é a face dum arquivo desenvolvido pela Associação Memoriando. Queremos assim criar uma ligação ao exterior e mostrar a nossa memória. Aqui, vamos reunir documentos que contam a história duma organização de luta anti-fascista. É um projecto que pretende estabelecer pontes para o futuro, salvaguardando um passado ainda por descrever, com o objectivo de sistematizar e recuperar informação. Um grupo de antigos responsáveis das Brigadas Revolucionárias (BR) e do Partido Revolucionário do Proletariado (PRP), resolveram juntar todas as peças possíveis da memória destas organizações e da sua experiência histórica. Entendemos que é uma experiência suficientemente rica e importante para não ficar perdida ou diluída. A memória individual ou de grupo na História contemporânea constitui um instrumento de identificação duma época.


As fontes desta recolha serão os documentos escritos, ou outros, que existem e que ficaram preservados. E serão documentos oriundos da recolha de depoimentos orais. Esta recolha diz respeito ao período das BR e do PRP anterior ao 25 de Abril e a todo o período posterior a esta data. Pretendemos também que outras memórias, mais alargadas e que não dizem respeito a esta organização, possam ser aqui registradas.


Para além dos ex-responsáveis que têm a vivência desde o início e portanto datada de dezenas de anos, há um grupo de jovens que se entusiasma o suficiente por esta história para ajudar a construí-la, na sua recolha e nos seus aspectos técnicos. Abrindo ao público esta documentação, a Memoriando, que é uma associação, põe à disposição de todos aquilo que é o seu património."


quarta-feira, 20 de maio de 2015

Histoire des éditions Afrontamento / História das Edições Afrontamento

OS ANOS FUNDADORES 

Editora cujas origens remontam a 1963, com o lançamento da coleção deantologias “Afrontamento”, publicada no Porto por um grupo composto de“jovens católicos progressistas, que tinham uma perspetiva mais atuante da religião no campo social, e gente de esquerda não conotada com o Partido Comunista” (*). Os livros eram coordenados e editados por Pedro da Conceição Francisco, jovem provindo da Guiné- Bissau em maio de 1966 e desde há muito ligado à JUC [Juventude Universitária Católica] do Porto. Este grupo editou ao ritmo de um livro por ano até 1968, com uma estruturaamadora e semiartesanal. Os títulos publicados nesta série foram: "Ao encontro da pessoa", de Emmanuel Mounier e Jean Lacroix (1963); "O homem invisível", de Pablo Neruda (1964); "Do Integrismo ao Nacional Catolicismo: os católicos e as direitas", de Louis Davallon, P. A. Liège, M Garrigou Lagrange, Louis Guinchard e Yves Congar (1965); "O Plano Langevin-Wallon para a reforma do ensino" (1966); e "Iniciação à teoria económica", de Ernest Mandel (1968). Os livros desta coleção traziam na contracapa a seguinte frase, de Emmanuel Mounier, que resumia o espírito que motivava os seus editores: “Quando a desordem se torna ordem, uma atitude se impõe: afrontamento”. 

Em 1967 o grupo em torno da Afrontamento amplia-se e busca dar início a uma nova fase de publicações. Nesse momento, alguns dos membros do grupo são Pedro Francisco, Mário Brochado Coelho, Raúl Moura, Pedro Barros Moura, José Leal Loureiro, Eneias Comiche, Machado Cruz, Artur Castro Neves, Arnaldo Fleming, José Carlos Marques, Eugénio Furtado, Gaspar Barbosa, Bento Domingues, David Miranda, César Oliveira e José Soares Martins (que utilizava o pseudónimo de José Capela). Várias dessas pessoas atuavam na cooperativa cultural Confronto, criada no Porto em 1966. Desse esforço surge a coleção Textos Afrontamento, também coordenada por Pedro Francisco, cujos dois primeiro títulos são: "Mas socialismo porquê?", de Albert Einstein (1968); e "Vietnam: a oposição à guerra nos EUA. Programa da Frente Nacional de Libertação do Vietname do Sul" (1969). 



Até este momento, a estrutura editorial e comercial existente em torno da Afrontamento era amadora, militante, o que criava algumas limitações para a produção e circulação dos livros editados. É em 1971 que se inicia efetivamente a segunda etapa da atuação do grupo, com o incremento das edições e a sua ampliação. É a partir de então que de facto se pode falar numa Editora Afrontamento, com coleções diversificadas de livros, constância nos lançamentos e uma melhor estrutura comercial, mais profissional. José Sousa Ribeiro, que era nessa época um jovem estudante de economia na Faculdade do Porto, aproximou-se do grupo por afinidade, acabando por ser, pouco depois, profissionalizado pela então embrionária editora, ocupando-se da produção dos livros e da sua venda para as livrarias. 

A nova fase da editora começa com a iniciativa do advogado Mário Brochado Coelho, um dos membros do grupo Afrontamento, de editar um livro sobre o processo judicial contra Joaquim Pinto de Andrade, militante da luta anticolonial que estava preso em Angola. Aproveitando o facto do processo jurídico ser público, Brochado Coelho decidiu publicar as peças desse processo em livro, dando origem à obra "Em defesa de Joaquim Pinto de Andrade", em julho de 1971. “No blackout de informações que havia na época, essa era uma forma de furar esse bloqueio. Este livro teve uma grande difusão e saiu com a chancela Afrontamento” (*). O sucesso de vendas desse livro – que teve uma tiragem de 20 mil exemplares – e o entusiasmo que ele gerou, levaram a que se começasse a estruturar melhor essas atividades e que se evoluísse para um empreendimento mais organizado. Os recursos obtidos com o livro foram cedidos por Brochado Coelho e serviram de base para o incremento das edições, que passaram a um ritmo acelerado. Apenas em 1971 foram pelo menos seis títulos, editados entre julho e dezembro. Em 1972 e 1973 foram cerca de dez títulos por ano. Eis alguns títulos publicados nestes anos: "Encontro. Alguns aspectos da religião tradicional discutidos pelo povo de Macieira da Lixa", coordenado por Mário Pais de Oliveira (1971); "O socialismo crítico de hoje: Teses de “Il Manifesto” " (1971);"Ocupação do Bairro do Bom Sucesso em Odivelas por 48 famílias de barracas", coordenado por José João Louro (1972); "Presos políticos: documentos 1970-1971", editado pela Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos e por Armando de Castro, Francisco Pereira de Moura e Lindley Cintra (1972); "A dominação inglesa em Portugal", de Armando de Castro (1972); "Pedagogia do oprimido", de Paulo Freire (1972); "As greves selvagens na Europa ocidental" (1973); "Luta de classes e instituições burguesas: o debate sobre as eleições legislativas em Itália 1972", do grupo“Il Manifesto” (1973). Foram lançados também sete volumes da coleçãoMovimento Operário Português, entre os quais: "O congresso sindicalista de 1911", organizado por César Oliveira (1971); "O movimento operário em Portugal", de Campos Lima (1972); "O sindicalismo em Portugal", de Manuel Joaquim de Sousa. (1972); "O socialismo em Portugal, 1850-1900", de César Oliveira (1973). A coleção As Armas e os Varões lançou dois títulos:"Moçambique pelo seu povo", organizado por José Capela (1971); e "O vinho para o preto: notas e textos sobre a exportação do vinho para África", também de José Capela (1973). 

A editora aproveitou-se do facto que, enquanto a imprensa periódica estava sujeita à censura prévia, os livros estavam sujeitos a uma censura a posteriori. Portanto, podia-se publicar fosse o que fosse, embora o destino de muitas das coisas que se publicavam fosse a apreensão pela polícia política. Os títulos publicados nesses anos têm marcadamente um carácter de oposição ao governo de Marcelo Caetano, com forte ênfase em temas relacionados com a luta anticolonial. Merece destaque a coleção Bezerro D’Ouro, cuja característica era reproduzir nos seus volumes peças jurídicas de processos contra oposicionistas: pedidos de habeas corpus, medidas de segurança, reprodução da legislação em vigor, autos de interrogatório, acórdãos de tribunais, etc. Tratava-se, portanto, de documentos oficiais, o que tornava embaraçoso para o governo a sua censura. Foi, sem dúvida, um subterfúgio inteligente, apesar de boa parte desses livros ter sido posta“fora de mercado”, ou seja, foram censurados ou apreendidos da mesma forma. Todavia, a censura ou a apreensão não significavam, na maior parte dos casos, que os livros efetivamente deixavam de circular, como veremos adiante. Os livros da coleção Bezerro D’Ouro foram um êxito, venderam milhares de exemplares. Isso colocou a necessidade de uma organização mais profissional para a editora. “Mas no fundo era eu [José Sousa Ribeiro] e mais dois ou três colaboradores que tratávamos tudo” (*). 

O sucesso dessa e de outras coleções da Afrontamento, tornou a editora rapidamente conhecida em todo o país. Nessa segunda etapa, alguns dos católicos progressistas “foram-se afastando do catolicismo, passando a engrossar as fileiras de uma esquerda não filiada nas organizações políticas clandestinas que existiam. Era um grupo muito marcado pelas questões anticoloniais” (*). De facto, nessa etapa, esse foi o ponto forte do combate político da editora: “Aquilo que afrontava mesmo ao regime de maneira radical eram as questões coloniais. E fomos radicais nisso”. 


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Contribution pour une analyse de la situation economique et politique au Portugal par Joao Bernardo

Contribution pour une analyse de la situation économique et politique au Portugal 

João Bernardo






Prochainement en téléchargement.




"Le texte qui suit ne prétend pas être une analyse globale de la lutte des classes au Portugal. Mon objectif est de tenter de déterminer la stratégie du capitalisme d'Etat; quand je m'en réfererai aux autres classes ou groupes sociaux, ce sera toujours de ce point de vue. La grande majorité de la littérature politique révolutionnaire depuis le 25 Avril, a plus insisté sur la lutte de la classe ouvrière et ses stratégies possibles que sur une analyse de la stratégie des classes exploiteuses. Mais l'analyse de la stratégie de l'ennemi ne sera-t-elle pas un élément important de notre propre combat ?

Le but que je me donne, en tentant d'analyser la stratégie de la bourgeoisie d'Etat, est de contribuer à orienter de manière plus certaine l'attaque du prolétariat. Bien connaitre la force et les faiblesses de l'ennemi est indispensable."  Mai 1975



quarta-feira, 13 de maio de 2015

La révolution inopportune de Alex Macleod

Les partis communistes français et italien face à la Révolution portugaise (1973-1975)

Quatrième de couverture:

"Quand l'armée portugaise réussit à renverser le 25 avril 1974 la plus vieille dictature de l'Europe occidentale, qui aurait pensé qu'elle venait de déclencher un processus révolutionnaire de dix-neuf mois? Certainement pas la gauche européenne qui se remettait à peine de l'échec cuisant de l'expérience Allende au Chili, étouffée par une autre intervention militaire à peine sept mois plus tôt. En peu de temps, la question de la création d'une société socialiste dans un pays capitaliste revint à l'or­dre du jour. Cette fois, le débat ne mettait pas seulement aux prises les mouvements de gauche en général. Pour une fois, on allait assister à une polémique publique entre communistes français, italiens, espagnols et por­tugais sur la nature du socialisme, les libertés, la démo­cratie et le droit de critiquer ouvertement les actions d'un parti frère.

L'analyse minutieuse des divergences entre partis com­munistes sur la révolution portugaise démontre que l'unité du mouvement communiste international est devenue une façade, et qu'au delà d'un certain rituel, la solidarité entre partis qui ne partagent pas les mêmes idées se limite à des gestes purement formels. La «révo­lution des oeillets» n'a pas tant suscité une division entre partis communistes, qu'elle a mis en relief les positions divergentes de protagonistes de modèles de sociétés et de conceptions de l'internationalisme très distincts."

Editions Nouvelle Optique 1984 - 242pages.

domingo, 3 de maio de 2015

A HISTÓRIA DO ATENTADO / Emidio SANTANA

A HISTÓRIA DO ATENTADO A SALAZAR, OCORRIDO A 4 DE JULHO DE 1937, nunca foi totalmente revelada ao público. A imprensa da época, embora desse o necessário relevo ao atentado, veiculou informações falsas.

Os factos, os autores do atentado e as fotografias então apresentadas estão longe de corresponder à verdade. O regime de Salazar queria fazer crer que o atentado tivera origem numa bem estruturada organização política.

A realidade era muito diferente. Mesmo depois do 25 de Abril, a imprensa persiste em não lançar luz sobre o que realmente se passou. Inconscientemente ou não, continua-se a ocultar ao público a luta subterrânea que se desenvolveu nos piores tempos do regime salazarista.

Este livro revela o que efectivamente foi atentado a Salazar: Quem o escreve é Emídio Santana, um dos autores do atentado.

A História de Um atentado não é só um relato factual. O leitor compreenderá os verdadeiros motivos que levaram um punhado de homens resolutos e quase sem meios (e numa época em que a repressão fascista não era só uma frase demagógica, mas a realidade) a lançarem-se num empreendimento que, se bem sucedido, poderia ter alterado completamente curso da história em Portugal. Um livro que vai tornar-se' num documento para a história da luta anti-salazarista em Portugal, já que relata e analisa um período muito importante dessa história. Uma obra que se lê com a facilidade dum bom romance, mas que é um verdadeirõ documento sobre toda uma época da vida de um país.

Publicações Forum 225p. 1976

terça-feira, 21 de abril de 2015

Emission La lutte des classes au Portugal (Rediffusion le 25/04/2015)

Emission La lutte des classes au Portugal
(Sur la révolution dite des "oeillets" ou la transition démocratique portugaise)


Cette émission est dédiée aux prolétaires anonymes, aux insoumis, déserteurs, objecteurs, à ceux qui ne dissocient 
pas les moyens et les fins.


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Téléchargement
Des parties 1-2-3-4-5
durée totale 17h26 minutes

+
REDIFFUSION
Le 25 avril 2015
A partir de 7h le matin

Sur Radio Vosstanie !


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Emission du  6, 13, 20 septembre 2014


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 Pour la trame de notre émission nous nous inspirons de l'ouvrage de Phil Mailer.
Portugal: The Impossible Revolution ?  First published by Solidarity (London) 1977.
 Portugal: a revolução impossível ? - Porto Ed Afrontamento 1978.




1ere partie
Enregistrée le 6 septembre 2014

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Présentation
Objet et but de l'émission - A propos de Le Portugal ...? et Après ! - ArqOperaria ?
De la mémoire à l'enterrement. Nos propres limites....

Situation historique et 
données économiques de l'époque.
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La conception putschiste 
de la révolution sociale. 
Le rôle de l'armée ou la conception bourgeoise de la révolution.
Avec Charles Reeve 
(Autour de l'ouvrage édité aux Editions Spartacus en 1976) 

Voir aussi notre émission du 25 janvier 2014 
(Itinéraire bio-bibliographique)

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TELECHARGER LA 1ère PARTIE
227 minutes

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Sur les expériences d'auto-organisation.
Commissions de "moradores", commissions de travailleurs, commissions inter-entreprises, occupations des terres, sur le non grand-parti.

Témoignage sur les commissions 
de "moradores" et parcours de:
 José Hipólito dos Santos. 
Ancien membre de la LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária) - Des Cadernos de Circunstancia.
Acteur de la révolte da Sé en 1959 et du "Golpe de Beja" le 1er Janvier 1962.

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TELECHARGER LA 2ème PARTIE
136 minutes


+ Itinéraire En 5 parties.

1- Premiers engagements - Seara nova et Antonio Sergio - La révolte da Sé - Golpe de Béjà, la prison.
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2 - L'Exil - de L'Algérie au Maroc.
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3 - Les Cadernos de Circunstância et Mai 1968.
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- La LUAR.
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5 - Retour au Portugal en 1974 . Des "moradores" au PRP.
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- Sur les Cadernos de Circunstância - 
41 minutes -

TELECHARGER LA 3ème PARTIE
(Les 5 parties de l'itinéraire en 1 fichier compressé)
274 minutes


Sem Mestres nem Chefes o povo tomou a rua A Revolta de BEJAFelizmente Houve a LUAR - Para a História da Luta Armada Contra a Ditadura
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2ème partie.
Diffusée le 13 septembre 2014


L'expérience du Journal Combate (1974-1978)
Avec João Bernardo.
Les forces "politiques" en présence.

Régressions, récupérations et limites. 
De "l'autogestion" au capitalisme d'Etat, de l'autonomie aux élections, la non-révolution culturelle, Une expérience Portugaise ? Pour une critique de la chronologie "politique".

40 ans après quelles perspectives ?
Débat et point de vue autour de "Les Portugais face à la crise - Grèves, manifestations, occupations 2010-2013 " traduit du portugais par le collectif Les Ponts Tournants et édité  par les Edições antipáticas.  Avec le GARAP.

(Discussions sur "les Portugais face à la crise" du 11 et 13 avril 2014 avec des membres du Collectif des Edições antipáticas)

Télecharger
Rencontre du vendredi 12 avril 2014 à Paris  [Télécharger]
- Rencontre du dimanche 13 avril 2014 au Rémouleur à Montreuil [Télécharger]

Conclusion de l'émission

João Bernardo, Charles Reeve, José Hipólito dos Santos, Eduardo de Sousa de librairie Letra Livre à Lisbonne, au Garap.

Mais aussi à 
Brunel, Blek, Henrique, Lino, Ben, Rosa, Anne-Emilie de Radio Panik, Manuel, Tonio, Judith et les autres....




A suivre...

Pour suivre la compilation de documentation en cours:



Photographie de José Marques

Série de cartes postales éditées sous: A Esquerda da Esquerda documentos para a História de uma
Revolução