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quarta-feira, 10 de abril de 2019

3 titres des Edicões Contra-a-Corrente - Lisboa/Porto

Les éditions Contra-a-Corrente (1975-1980) furent créés par le collectif du journal Combate. Les publications étaient disponibles dans deux librairies à Lisbonne et à Porto. Il y a eu 55 titres édités par le collectif. La librairie à Lisbonne a existé jusqu'à 1985.

SOBRE A SITUAÇÃO ACTUAL BANDA DESENHADA
SILVA RODRÍGUEZ, FRANCISCO 
 Edicões Contra-a-Corrente, Lisboa/Porto - 12p.


Trabalhadores dos Transportes
Estefania em luta contra o patrão
Edicões Contra-a-Corrente, Lisboa, 1976 - Dossiers de Luta - Combate / 1, 14 p.

Portugal: A Questão da Organização Revolucionária
Um Grupo Autonomo de Trabalhadores Emigrados 
 Edicões Contra-a-Corrente, 1975, 20p.
Escrito por um grupo de trabalhadores nascidos em Portugal mas a trabalhar em França.


Pour en savoir plus voir

quinta-feira, 28 de março de 2019

Exposition « Refuser la guerre coloniale » : du 19 avril au 5 mai 2019

 Exposition « Refuser la guerre coloniale » 
 du 19 avril au 5 mai 2019

L’exposition « Refuser la guerre coloniale » rend compte de l’exil parisien de près de 200.000 portugais ayant dit non à la guerre coloniale que le Portugal du dictateur Salazar a menée en Afrique de 1961 à 1975.

Par la même, elle redonne une place dans la mémoire collective à l’histoire des insoumis, des réfractaires et des déserteurs portugais ayant immigrés en France et notamment dans la région parisienne.

L’exposition est composée de d’objets, d’extraits de films, d’entretiens, de photographies, d’archives sonores, de caricatures, d’affiches, de vinyles et d’archives papiers.
La scénographie rend compte de l’expérience de la fuite, de la vie d’exil à Paris et de l’engagement politique contre la guerre coloniale.

Elle se déroulera du 19 avril au 5 mai 2019 à la Maison du Portugal – Résidence André de Gouveia à la Cité Internationale universitaire de Paris, 7 boulevard Jourdan (RER B ou Tram 3a).






terça-feira, 26 de março de 2019

Portugal No Contexto "Da Transiçao Para O Socialismo" / José Maria Carvalho Ferreira

Portugal no contexto 
"Da Transiçao Para O Socialismo" 
 
HISTORIA DE UM EQUIVOCO
 
José Maria Carvalho Ferreira 

As grandes questões sociais dos últimos anos do nosso século têm sofrido da "síndrome” da moda. As idéias, como a ciência, servem quase exclusivamente para acalmar os problemas existenciais dos espíritos e para alimentar uma intelectualidade cada vez mais proletarizada.

O fenômeno da “transição para o socialismo” não escapa a esse dilema. No fim do séc. XIX e princípios do séc. XX, as pessoas e as organizações lutavam e escreviam com uma certa honestidade sobre este domínio. Hoje, passada que foi a euforia revolucionária dos anos sessenta e setenta, o mesmo problema é encarado como um fenômeno histórico menor, ou então abandonado ao puro esquecimento. Como se, por exemplo, o “fenômeno Gorbachov” fosse possível de avaliar em termos de descontinuidade histórica e desenquadrado dessa questão básica.

Nesse sentido, para compreender, hoje, em grande parte, o fenômeno de mudança da URSS, ou inclusive a evolução de Portugal após o 25 de abril de 1974, é necessário avaliar os postulados teóricos que estiveram na origem e no desenvolvimento histórico da “transição para o socialismo".

O objetivo central da minha investigação cinge-se a uma análise crítica das premissas teóricas e práticas da “transição para o socialismo", com especial incidência em determinados autores e países. Para a compreensão dessa realidade em termos históricos, e depois de avaliar os pressupostos teóricos e práticos que fundamentaram essa problemática, procurei, sempre que possível, avaliar o processo português, decorrente entre 1974 e 1975, à luz desse modelo.
Blumenau FURB, 1997 - 376 p.




Bibliografia Libertária - O anarquismo em língua portuguesa / Adelaide Gonçalves - Jorge E. Silva

Bibliografia Libertária
O anarquismo em língua portuguesa
 
 Adelaide Gonçalves / Jorge E. Silva

Editora Imaginária - São Paulo, 2001 - 142 pages

quarta-feira, 13 de março de 2019

[Vosstanie Editions Maio 2019] Da revolução burguesa à revolução proletária / Otto Rühle





Da revolução burguesa 
à revolução proletária 

Otto Rühle
 -
Título original
Von der bürgerlichen zur proletarischen Revolution
Tradução realizada sobre a versão inglesa From The Bourgeois To The Proletarian Revolution, Socialist Reproduction, London, 1974.


Vosstanie / Arqoperaria Maio 2019.
Publicaçõe papel (Tiragem limitada) 
brochado 160 págs - 10

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(Pour commander le livre nous contacter)


OTTO RÜHLE (1874-1943)


Professor e educador de profissão, toda a vida interessado pela educação e pela psicanálise, Rühle tornou-se, em 1911, deputado do SPD na Dieta da Saxónia, depois, em 1912, deputado do SPD ao Reichstag, apoiando a ala esquerda do partido.

Em Março de 1915 Rühle foi o segundo deputado, sendo o primeiro Karl Liebknecht, a recusar o voto aos créditos de guerra no Reichstag. Membro fundador da Liga Spartakus durante a guerra, Rühle abandonou este grupo para entrar para o ISD (mais tarde o IKD), tornando-se porta-voz do grupo para a área de Dresden do ISD.

Depois, em 1918, desempenhou um papel dirigente nos acontecimentos revolucionários na Saxónia, que levaram à queda do principado governante da Casa da Saxónia. A sua tendência em breve se desviou dos chamados conselhos operários locais social -democratas. Era porta-voz da maioria de esquerda na conferência da fundação do KPD em Dezembro de 1918 e principal propagandista do conceito de organização unitária durante este período.

A seguir à expulsão da tendência comunista de esquerda do KPD no Congresso de Heidelberg participou na fundação do KAPD, com a condição de que este se dissolvesse rapidamente na AAUD. Delegado do KAPD ao Segundo Congresso da Internacional Comunista, ao qual se recusou a comparecer depois de rejeitar as vinte e uma condições de adesão. Por isto foi expulso do KAPD em Outubro de 1920. Daqui em diante tornou-se leader teórico da tendência da «organização unitária», depois o iniciador da fun dação da AAUD-E em Outubro de 1921.

Deixou a organização revolucionária em 1925 e voltou-se uma vez mais para a actividade literária e cultural (ver a lista das obras a seguir). Em 1933, com a sua esposa e colaboradora Alice Gurstel-Rühle, emigrou para Praga, e em 1936 para o México, onde exerceu, durante algum tempo, as funções de consultor para a educação de um governo «socialista». Empenhado neste período num diálogo político com Trotsky sobre as divergências políticas fundamentais entre eles, continuaram em desacordo, mas Rühle tomou parte no Comité formado nos USA por John Dewey, para examinar as acusações de Estaline contra Trotsky, defendendo a reputação deste.

Rejeitou a frente anti-fascista e, consequentemente, tomou uma posição derrotista internacionalista ao eclodir a Segunda Guerra Mundial. Contribuiu ocasionalmente ao longo dos anos trinta para o jornal International Council Correspondence (mais tarde Living Marxism), cujos outros colaboradores incluiam Anton Pannekoek e outros membros do Grupo Holandês Comunista Conselhista, e Karl Korsch, Paul Mattick e outros sobreviventes da corrente de esquerda comunista na Alemanha.

Começou a pintar aos 65 anos e conseguiu uma boa reputação neste campo com o nome de Carlos Timonero. Morreu no México em 1943.

Vosstanie Editions / Arqoperaria Maio 2019.


DA REVOLUÇÃO BURGUESA
À REVOLUÇÃO PROLETÁRIA
Otto Rühle


PREFÁCIO
  • Sobre as origens e infância da política revolucionária do proletariado.
  • O comunismo de esquerda na Alemanha de 1914 a 1923

DA REVOLUÇÃO BURGUESA A REVOLUÇÃO PROLETÁRIA

Nota introdutória
1. As revoluções burguesas
2. O problema russo
3. O Estado capitalista burguês
4. Parlamento e partidos
5. Os sindicatos
6. A última fase do capitalismo europeu
7. Organização de fábrica e uniões operárias
  1. As origens do movimento unionista
  2. Natureza e objecto da AAUE
  3. Estrutura da BO
  4. Estrutura da união
  5. Tácticas
  6. Natureza da administração
  7. Inscrição
8. O sistema dos conselhos
9. A revolução proletária
OTTO RÜHLE — NOTAS BIOGRÁFICAS
BIBLIOGRAFIA

sexta-feira, 8 de março de 2019

Um percurso: a classe dos gestores / João Bernardo

Um percurso:
a classe dos gestores

No início de 1963 foi publicado o primeiro número da revista Análise Social, que renovou a sociologia em Portugal. O seu fundador, inspirador e director durante muitos anos foi Adérito Sedas Nunes, que, no plano intelectual, teve um papel muito importante na transição do fascismo para a democracia capitalista. Analisei este papel no Labirintos do Fascismo, 3ª versão. Pode procurar usando controle f ou o índice de personagens no final do livro.


Comecei a minha actividade política contra o fascismo no início do ano lectivo de 1961-1962, com quinze anos de idade. Eu militava tanto no movimento estudantil como na acção clandestina, na periferia do Partido Comunista. No início do ano lectivo de 1963-1964 passei para a universidade e entrei então para o Partido Comunista, mas já como militante. A Análise Social aparecia-nos, a mim e a outros colegas, como um sopro renovador no ambiente esclerosado da academia portuguesa no salazarismo, e foi aí que pela primeira vez deparei com a noção de uma tecnocracia modernizadora com interesses sociais próprios. A raiz do que mais tarde eu definiria como classe dos gestores, foi aí que a encontrei.


No final do ano lectivo de 1964-1965 fui expulso de todas as universidades portuguesas por um período de oito anos, a mais longa expulsão decretada pelo fascismo português durante os seus quarenta e oito anos de existência. Em 1965-1966 fui preso três vezes, e pouco depois da minha última prisão decidi abandonar o Partido Comunista. Em 1964 ocorrera uma cisão maoísta, que levara à fundação conjunta do Comité Marxista-Leninista Português (CMLP) e da Frente de Acção Popular (FAP). Estas duas organizações foram completamente destruídas pela Pide, a polícia política, no final de 1965. Quando saí do Partido Comunista, em 1966, encetei, junto com alguns camaradas, a reconstrução, a partir do zero, de uma organização maoísta. Em Novembro de 1967 a Pide destruiu praticamente tudo o que tínhamos criado, mas eu consegui, junto com outros dois camaradas, passar à clandestinidade antes de sermos presos. Na clandestinidade, um desses camaradas permaneceu inactivo e o outro foi preso pouco depois, ainda em Novembro de 1967 ou no começo de Dezembro. Fiquei sozinho a reconstruir o que me era possível. Durante esse período de clandestinidade escrevi um texto bastante longo intitulado Portugal 1968: Um Ponto Morto?, onde me lembro que usei a noção de uma tecnocracia com interesses sociais próprios, que apreendera na leitura da Análise Social. Esse texto foi então policopiado e distribuído clandestinamente. Eu não tenho nenhum exemplar, e Miguel Cardina, o historiador que melhor estudou a extrema-esquerda portuguesa durante esse período ( https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/15488/1/Tese%20doutoramento_Miguel%20Cardina.pdf ), diz que não conseguiu encontrar nenhum exemplar. Se ele não o conseguiu, ninguém mais conseguirá. Aliás, para conhecer a minha actuação política antes do 25 de Abril de 1974 pode ler o que o Cardina escreveu a meu respeito nessa obra.


Em Junho de 1968, terminado o trabalho de reconstrução da organização maoísta, a que me era possível proceder naquelas condições, passei clandestinamente a fronteira e fui para Paris, onde vivi também clandestinamente, ou seja, com documentos de identificação falsos, até Abril de 1974. Em Outubro de 1969 rompi com a organização maoísta central, o CMLP ( https://archive.org/details/jb-cdt ). Mais exactamente, eu ia ser expulso e antecipei-me um dia, só para dizer que tinha sido eu a sair.


Na sequência da minha saída do CMLP fundei, junto com outros camaradas, que na altura estavam todos em Portugal, os Comités Comunistas Revolucionários (CCR) ( https://pt.wikipedia.org/wiki/Comit%C3%A9s_Comunistas_Revolucion%C3%A1rios_Marxistas-Leninistas ). Escrevi então um longo artigo, À Esquerda de Cunhal Todos os Gatos São Pardos, publicado em números sucessivos da revista teórica dos CCR, intitulada Viva o Comunismo! ( https://archive.org/search.php?query=Jo%C3%A3o%20Bernardo ). Álvaro Cunhal era o secretário-geral do Partido Comunista e o artigo fazia uma crítica às concepções do Partido Comunista e às concepções de uma variedade de organizações e grupos que, entretanto, haviam surgido na área do maoísmo e do marxismo-leninismo. Não reli esse artigo, e aliás devo dizer-lhe que nunca releio os meus textos, como medida profiláctica para não pôr travões à imaginação e manter a criatividade. Mas lembro-me de que um dos eixos centrais da análise consistia na distinção entre uma pequena-burguesia de raiz pré-capitalista, formada por artesãos, pequenos comerciantes e gente desse género, e outro tipo de pequena-burguesia, que se desenvolvia e crescia com o crescimento do capitalismo, formada por profissões como os engenheiros e outros tecnocratas. Nesta série de artigos eu dava um maior desenvolvimento àquilo que esboçara no Portugal 1968: Um Ponto Morto? e que apreendera na leitura da Análise Social.


Entretanto, cabe explicar o seguinte. Após a minha ruptura com o CMLP, a imprensa do CMLP passou a acusar-me sistematicamente de trotskismo. É claro que esta era uma acusação habitual nos meios stalinistas, mas foi tão sistemática que eu pensei: será que sou mesmo trotskista? Em Portugal não havia então nenhuma organização trotskista, e aliás nunca houvera, mas se eu fosse trotskista escusava de perder o meu tempo no meio maoísta. Até essa altura eu lera três ou quatro livros de Trotsky, e decidi então ler tudo o que me fosse possível, o que em Paris não era difícil. Li os livros dele. E nessa época os trotskistas americanos haviam recolhido e editado em vários volumes os artigos que o Trotsky escrevera depois de ter saído da União Soviética. Comprei estes volumes e estudei aquilo tudo atentamente, com três resultados. O primeiro, foi que cheguei à conclusão de que eu não era trotskista. O segundo resultado, é que passei a ter um conhecimento detalhado da obra de Trotsky, que me tem servido até hoje.


Mas houve ainda um terceiro resultado, que interessa aqui especialmente. Depois de ter abandonado a União Soviética, além dos seus ataques a Stalin e ao stalinismo, Trotsky passou a conduzir sistematicamente uma luta política dupla, que é muito mais visível nos artigos do que nos livros. Por um lado, ele atacava aqueles a quem acusava de «centrismo», ou seja, que acusava de oscilarem entre o stalinismo e as posições dele, Trotsky, e pouco mais tarde da IV Internacional, a partir do momento em que foi fundada. Estes «centristas» reuniam-se em torno do Bureau Londres-Amesterdão e incluíam os socialistas noruegueses; o POUM espanhol, com Joaquìn Maurìn e Andrès Nin; o grupo de Saint-Denis, com Doriot, antes de se terem convertido no principal partido fascista francês; os holandeses de Henk Sneevliet; Victor Serge e outros. Ao mesmo tempo, Trotsky conduzia uma luta contra todos aqueles que classificavam o regime soviético, não como um socialismo degenerado, mas como um verdadeiro sistema de exploração de classe, e que consideravam a burocracia soviética, não como uma casta privilegiada, mas como uma verdadeira classe exploradora. Em termos muito gerais, estes militantes à esquerda de Trotsky dividiam-se em duas grandes correntes. Uns consideravam o regime soviético como um capitalismo de Estado e consideravam a burocracia ou como uma burguesia de Estado ou como uma classe capitalista não burguesa. Outros consideravam o regime soviético como um sistema económico pós-capitalista e a burocracia como o protótipo de uma classe dominante pós-capitalista. Tratei em parte esta questão no Labirintos do Fascismo, 3ª versão, nas págs. 467 e segs.


Assim, a leitura das polémicas de Trotsky abriu-me os olhos para toda uma gama de autores que, na extrema-esquerda, consideravam a existência de uma classe exploradora que não era a burguesia tradicional. Quero aqui chamar a atenção para o facto de eu ter conhecido esses autores não pelas obras deles, que em boa parte eram dificílimas de encontrar, e ainda hoje o são, mas pelas acusações de Trotsky. Esta foi uma contribuição decisiva para eu desenvolver as noções que começara a esboçar no Portugal 1968: Um Ponto Morto? e no À Esquerda de Cunhal Todos os Gatos São Pardos.


Entretanto, a Revolução Cultural chinesa perdera o carácter de base e a espontaneidade que a caracterizara inicialmente e fora completamente militarizada, uma evolução que nos deixava, nos CCR, cada vez mais perplexos. A visita de Nixon à China, em Fevereiro de 1972, foi a proverbial gota de água que fez transbordar o copo. Eu redigi então um documento interno que fiz circular nos CCR, a cuja direcção pertencia, e que usei mais tarde como capítulo 25 do Para uma Teoria do Modo de Produção Comunista, págs. 231 e segs. ( https://archive.org/details/jb-putdmdpc/page/n207 ). Note que este livro foi escrito no Verão de 1973, embora só tivesse sido publicado, na versão conhecida, no começo de 1975. Não me recordo se para a publicação de 1975 introduzi algumas modificações no referido documento interno, mas, se o fiz, foram apenas de estilo. Aqui eu já considerava que o regime soviético e a China eram capitalismos de Estado e que a sua classe dominante era capitalista, embora distinta da burguesia tradicional, e considerava que esta mesma classe capitalista não-burguesa existia também nos capitalismos ocidentais. Estas teses desencadearam uma grande polémica não só no interior da direcção dos CCR, composta por cinco pessoas, sendo eu uma delas, mas no interior de toda a organização. A minha posição era muito minoritária e no meio dessa discussão, que estava a chegar ao ponto de ruptura, ocorreu o golpe militar de 25 de Abril de 1974, com a subsequente revolução social. Eu e mais dois camaradas, Rita Delgado e João Crisóstomo, deixámos então os CCR seguir o seu destino e fundámos o jornal Combate ( http://jornalcombate.blogspot.com/ ), virado exclusivamente para as lutas práticas dos trabalhadores ( https://www.marxists.org/portugues/tematica/jornais/combate/index.htm ). Eu referia-me então a essa classe como tecnocracia, mas no 3º vol. de Marx Crítico de Marx, publicado em 1977 ( https://archive.org/details/jb-mcm-l01vol03 ), usei já a terminologia gestores.


Assim, é interessante considerar que até àquela data toda a minha evolução se fez sem ter lido directamente nenhum dos autores que trataram especificamente da classe dos gestores, uma bibliografia que só vim a ler mais tarde, depois de ter sido convidado a leccionar no Brasil, em 1984. Para isso foi muito importante o convívio com o Maurício Tragtenberg e igualmente com o Bresser Pereira e com o Fernando Prestes Motta, que falavam então de tecno-burocracia, exactamente na acepção em que eu emprego o termo gestores.


17 de Fevereiro de 2019

João Bernardo

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Publicado - [Vosstanie Éditions ] Era um mundo / João Bernardo

Publicado

Era um mundo
Libertar-se do mundo morto

 João Bernardo 


 Um livro em português

Publicaçõe papel (Tiragem limitada) e pdf (livre)
Vosstanie Éditions Março 2019
Prefácio
Bibliografia, índices de nomes e assuntos
 brochado 253 págs - 16


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"O mundo que morreu não se limitou a morrer. Morreu de uma dada forma e foi substituído por dados problemas, e tanto uma como os outros constituem o terreno sobre o qual, queiramos ou não, vivemos e somos obrigados a agir." 


João Bernardo nasceu em 1946. Em 1965 foi expulso de todas as universidades portuguesas por motivos políticos durante um período de oito anos. Como militante foi preso três vezes pelo regime fascista em 1965-1966. Clandestino em Portugal, exilou-se em Paris de 1968 até 1974. Fez parte do colectivo que criou e manteve o jornal Combate, publicado de 1974 a 1978. De 1984 a 2009 foi convidado a leccionar em várias universidades brasileiras em cursos de pós-graduação.



Em francês

Entretiens avec João Bernardo
Labyrinthes du fascisme
Émission La Lutte des Classes au Portugal