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domingo, 28 de maio de 2017

Integração e ruptura operária / Carlos Da Fonseca

Integração e ruptura operária
 capitalismo, associacionismo, socialismo
1836-1875

"Este livro é uma tentativa de racionalizar o estudo das forças determinantes da sociedade portuguesa durante o século XIX. O quadro cronológico, 1820-1873, é caracterizado por dois momentos importantes: a vitória burguesa que eliminou o velho regime (monarquia absolutista) e a ruptura operária provocada pela A. I. T., ou seja, a passagem ao liberalismo cosmopolita e ao internacionalismo proletário.
O período a examinar não é exclusivamente dominado pela luta entre a burguesia e o proletariado. As coisas não são tão simples como querem fazê-las alguns historiadores da nossa praça. Os conflitos que se impõem ao historiador são essencialmente as dissensões entre os diferentes estratos da burguesia, os tipos e sectores da produção, os discursos ideológicos, etc. E, por isso, que as ideologias produzidas por cada grupo de interesses têm de considerar os termos gerais do afrontamento, independentemente da participação ou não participação das massas populares.
 
E indiscutível que o proletariado acompanhou de perto o combate, como não podia deixar de ser. Foi esta, de resto, a razão que me levou ao estudo das práticas e das ideologias associacionistas. Contudo, penso poder afirmar que antes da intervenção da A. I. T., raramente encontramos o proletariado português fora das ratoeiras integracionistas.

Porém, e mesmo se tudo, durante este meio século, tivesse sido integração e asfixia operária, o que não foi o caso, não seria razão paira eliminar a existência física da classe operária, como fez e continuará a fazer a rotineira historiografia lusitana. Havia, pelo menos, que explicar as causas, as formas e as ideologias da integração. Minimizar-lhe a importância seria o mesmo que dizer que os 40 anos de integração corporativista sob a ditadura em nada transtornaram. a vida do operariado.
 
O leitor encontrará,, junto às teses enunciadas, a enumeração de sociedades de interesses patronais e dados estatísticos. Tais pormenores não traduzem uma qualquer intenção economicista e só por inadvertência alguém as poderia considerar como supérfluas ou, pior, inúteis. As associações patronais interessam-nos no ataque ao antigo regime e na consolidação do sistema, capitalista moderno, dado o papel que desempenham.

Se me debrucei também sobre as ciências económicas, não foi com intenção de as considerar enquanto tais para descrever, uma vez mais, as funções da moeda, do crédito, os mecanismos do mercado mundial ou da concorrência capitalista. As doutrinas económicas interessam-me apenas como armas utilizadas pela burguesia revolucionária contra a aristocracia feudal ou mercantilista. E ainda, embora em segundo plano, como aspecto e justificação ideológica da dominação de uma classe.
Evitei, tanto quanto possível, a descrição ou as apreciações líricas das pessoas ou dns ideias. Aguei e além, julguei inútil recorrer às citações. Em compensação, mantive indicações bibliográficas relativamente abundantes. O que não comporta uma pretensão erudita qualquer ou até o bolor sapiente dos corredores da Sorbonne. Estas indicações destinam-se a arrancar do anonimato um certo número de obras, dando ao leitor a possibilidade de superar a tibieza do texto que lhe proponho, lendo-as com a atenção que elas merecem. Ao mesmo tempo quero mostrar a constância e a intensidade com que foram vividos certos problemas no oitocentos português." p 9-10 



I— INTEGRAÇÂO E RUPTURA OPERARIA

Modelo historico e histéria do modelo
Caracteristicas do capitalismo português
Ideologia e realidade em economia
Factores de estagnaçao:
1 — A tirania comercial
2 — A escassez de capitais   
Evoluçâo do sector industrial
Capitalismo e racionalidade:
    1 — Racionalidade pratica
    2 — Racionalidade teorica
    3 — Prâtica da racionalidade tedrica
Capitalismo, nacionalismo e cosmopolitismo
O  Cabralismo, expressâo do estado moderno
O  Vintismo e a questâo social
A Sociabilidade crista
Silvestre Pinheiro Ferreira, primeiro te6rico português do associacionismo 
Associacionismo e socialismo
As geraçoes de 52 e de 7093

II — DOCUMENTOS DA RUPTURA 

Estatutos da A. P. T. N
Estatutos do Cofre para os Melhoramentos da Associaçao Fraternidade Operaria 
O que é a Internacional
Estatutos da Associaçâo Internacional dos Trabalhadores e das Secçôes da Regiao Portuguesa  
Aos trabalhadores de Portugal em face da revoluçâo
Carta de adesâo da Federaçâo local a A. I. T.
Carta de Nobre França a F. Engels
Da propriedade
Relatorio sobre as actividades da A. I. T. em Portugal
Carta de Nobre França a Magalhâes Lima
A Secçao Portuguesa nas Actas do Conselho Espanhol
Indice dos nomes e autores citados

Editorial Estampa 1975 - 245p.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Hommage à Carlos da Fonseca (1940-2017)

Hommage à Carlos da Fonseca (1940-2017) que nous avions rencontré il y a maintenant très longtemps, souvent ici et la....il prenait le temps. Des rencontres, des discussions qui marquent forcement votre existence. Il avait été marqué par deux livres dont il parlait souvent La dialectique négative d'Adorno et L'increvable anarchisme de Louis Mercier-Vega.

Nous reprenons les propos de la librairie Letra Lde Lisboa.


Carlos da Fonseca (1940-2017)

O historiador Carlos da Fonseca faleceu em Paris, no dia 9 de Maio, na sequência de uma doença com que se debatia, quase secretamente, há muitos anos, e que a partir de certa altura muito debilitou a sua actividade de autor.

Historiador do movimento operário e do anarquismo em Portugal, lega-nos, em particular neste domínio, uma obra considerável, das reedições comentadas de «textos esquecidos» aos quatro volumes, essenciais, da sua História do Movimento Operário e das Ideias Socialistas em Portugal (Europa-América), passando por volumes como Integração e Ruptura Operária (Estampa). Os seus últimos livros conhecidos, Para uma Análise do Movimento Libertário em Portugal e O 1º de Maio em Portugal, foram publicados pela Antígona.

Carlos da Fonseca nasceu em Peniche, onde começou a trabalhar aos 11 anos de idade, passando por diversos e provisórios ofícios. Nos anos 60, refractário ao exército colonial, exilou-se em França,
onde fez longos estudos universitários, primeiro na Universidade de Paris VIII (Vincennes), depois na École Pratique des Hautes Études, onde se acentuou a sua vocação investigativa. Foi professor de história e cultura portuguesa na Universidade de Paris VIII e, posteriormente, na Sorbonne.

Personalidade de uma obstinada discrição, pode aplicar-se-lhe o verso programático de Luiza Neto  Jorge «Não me quero com o tempo nem com a moda». Mas a sua veia satírica, embora pouco exposta, surgiu por vezes em textos não assinados como «Desratização», publicado na revista Pravda, em que investe contra os «fabricantes de opinião»: «Subindo pelos canos de esgoto do vedetariado servil, invadiram a imprensa, instalando-se nas redacções, para daí contagiarem, com visível perigo sanitário, as crédulas populações, através de doses de informação mercenária». A sua obra de historiador rigoroso e influente está a necessitar de uma atenção redobrada. Nestas toscas linhas, daqui saudamos a sua memória de homem inteiro.



quinta-feira, 18 de maio de 2017

Sines na Revolução dos Cravos - O Povo em Luta pelos seus Direitos

Sines na Revolução dos Cravos
O Povo em Luta pelos seus Direitos
 
 
A história da Revolução dos Cravos em Sines é marcada pelo conflito entre o Gabinete da Área de Sines, criado em 19 de junho de 1971, que iria trazer desenvolvimento e progresso a toda a região, mas três anos depois, criara apenas um monstro responsável por expropriações de pequenos proprietários, pela estagnação das obras de construção civil, pela inexistência de esgotos, por danos provocados nos edifícios pelos rebentamentos na pedreira, por falta de habitação e danos à atividade piscatória, e a população que começa a organizar-se formando, logo após o 25 de Abril de 1974, a Comissão de Redenção do Povo de Sines, e depois a Assembleia Popular do Concelho de Sines (em janeiro de 1975) e as comissões de moradores de diversos bairros. ¶ ¶ Em Sines, ao contrário do que aconteceu na maioria do País, as comissões de moradores mantiveram-se ativas muito para além dos anos da Revolução dos Cravos, não como um “poder popular” alternativo, mas com um caráter complementar da atividade da autarquia.


Índice: 

Agradecimentos

I. Introdução. A história do povo

II. Sines: um pouco de história
– Cronologia de Sines

III. O grande projeto que iria mudar Sines

IV. O povo em luta pelo direito à cidade
– Nascimento das comissões de moradores em Sines
– As principais causas que mobilizam as comissões de moradores
– O movimento de ocupações de casas
– Poder popular ou «institucionalização do movimento popular»?
– Autarquia e comissões de moradores em Sines: uma relação de colaboração
– Um «inimigo comum»
– As comissões moradores após o período revolucionário
– Cronologia das Comissões de Moradores


António Simões do Paço, Luísa Barbosa Pereira, Raquel Varela Edições Colibri 130p. 2017

terça-feira, 16 de maio de 2017

Não Podiam Trabalhar com Fome A greve de 1946 nas minas de São Pedro da Cova / Daniel Vieira

Não podiam trabalhar com fome
A greve de 1946 nas minas de São Pedro da Cova
 
Daniel Vieira

Fome, miséria, muitos, muitos acidentes graves. Era assim, todos os dias, em S. Pedro da Cova.

Um livro que nos convida a revisitar um dos trabalhos mais duros de que há memória e a revolta contra as precárias condições existentes, que deu origem a uma greve histórica.
 
Uma investigação rigorosa que nos remete para as profundezas negras das galerias das minas e que nos recorda que, por muito difíceis que sejam os caminhos, há sempre estrada a percorrer, quando existe coragem e determinação.

 
Editor: Lugar da Palavra 2016 - 112p.
 
 
 EN SAVOIR +
  
 

Gestos & Fragmentos un film de Alberto Seixas Santos (1982)


 
Gestos e Fragmentos: ensaio sobre os militares e o poder
 
Um filme de Alberto Seixas Santos, realizado em 1982

Três variações sobre o tema das relações entre os militares e o poder, em Portugal. Otelo Saraiva de Carvalho narra o percurso que o levou, com os seus camaradas do Movimento dos Capitães, da Guerra Colonial ao golpe de estado de 25 de Abril de 1974, e as sucessivas crises que, destruindo a mítica unidade das Forças Armadas, conduziram ao 25 de Novembro de 1975 e ao fim da Revolução. Um professor universitário, Eduardo Lourenço, analisa a descida brusca dos militares do seu "céu político", à política mais revolucionária. Como num romance policial, um jornalista americano - Robert Kramer - procura os culpados do fracasso da Revolução de Abril. Do cruzamento destes discursos, fragmentários, nasce - como num «puzzle», que as várias peças vão completando - a imagem contraditória, fugidia e lacunar dos militares portugueses.  


Disponible DVD chez Real Ficção

A Lei da Terra en DVD du Grupo ZERO (1976)


O processo da reforma agrária no Alentejo é visto através de uma análise das estrutura sociais e da luta de classes, culminando com a ocupação de terras pelos camponeses e pela tentativa de criação de novas relações laborais e de propriedade.

Face à sabotagem económica dos patrões e antigos proprietários, os trabalhadores organizam-se em sindicatos, reclamam emprego e salários justos. Procuram estabelecer uma lei revolucionária: «A terra a quem a trabalha!». Organizam-se em cooperativas e unidades colectivas de produção.

Reagem os agrários expropriados, apoiando-se nos intermediários, nos agricultores do Norte e nos seareiros do Sul.

Realização e produção: Grupo Zero
Realizadores: Alberto Seixas Santos e Solveig Nordlund

Disponible chez Real ficcao dans un coffret avec O meu outro Pais documentaire de Solveig Nordlund