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sábado, 19 de dezembro de 2015

O VOTO, AS ELEIÇÕES, O ESTADO: ARMAS DO CAPITAL




Ediçoes SPARTACUS, Lisboa Janeiro 1975.92p.


Aos trabalhadores interessa acabar com os patrões e não votar lado a lado com eles. Interessa-lhes tomar nas suas próprias mãos as fábricas, as empresas, os campos, etc., e não eleger os seus próprios exploradores.

Assim, as eleições surgem como meio de encobrir estas relações de exploração e a luta que daí resulta. Mais: a burguesia, ao fazê-las, pretende que esta luta de classes se transforme em colaboração de classes, isto é, que os trabalhadores ajudem a exploração de si próprios.

As eleições constituem antes e essencialmente um campo de manobra para os partidos que nelas participam e que representam todas as saídas possíveis, menos a única que interessa historicamente às massas trabalhadoras: á sua emancipação. A emancipação dos trabalhadores é obra dos próprios trabalhadores. Se estes a não realizarem, ninguém a realizará, pois ela não se delega em ninguém e muito menos no Estado capitalista que a impede violentamente e nos partidos que sempre utilizaram o proletariado para os seus fins de partidos defensores da exploração actual ainda que sob outra forma.

De facto, as massas trabalhadoras só se poderão emancipar lutando radicalmente contra todas as instituições burguesas e levando até às últimas consequências a sua destruição, isto é, agudizando o caos económico do capitalismo, contrapondo-lhe e realizando já na prática o comunismo.




quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Tarrafal - Memórias do Campo da Morte Lente

Tarrafal - Memórias do Campo da Morte Lente



Un film de Diana Andringa 2011. 1H30


"Chamavam-lhe “o Campo da Morte Lenta”. Os críticos, naturalmente. Que as autoridades, essas, chamaram-lhe primeiro, entre 1936 e 1954, quando os presos eram portugueses, “Colónia Penal de Cabo Verde” e, depois, quando reabriu em 1961 para nele serem internados os militantes anticolonialistas de Angola, Cabo Verde e Guiné, “Campo de Trabalho de Chão Bom”. Trinta e dois portugueses, dois angolanos, dois guineenses perderam ali a vida. Outros morreram já depois de libertados, mas ainda em consequência do que ali tinham passado. Famílias houve que, sem nada saberem o destino dos presos, os deram como mortos e chegaram a celebrar cerimónias funebres. “Ali é só deixar de pensar. Porque, se não, morre aqui de pensamentos. É só deixar, pronto. Os que têm vida ficam com vida. Nós aqui estamos já quase mortos.” A frase é do angolano Joel Pessoa, preso em 1969 e libertado, com todos os outros presos do campo, em 1 de Maio de 1974. No 35º aniversário desse dia, a convite do presidente da República de Cabo Verde, Pedro Verona Pires, os sobreviventes reencontraram-se para um Simpósio Internacional sobre o Campo de Concentração do Tarrafal. “Tarrafal: memórias do Campo da Morte Lenta” resultou desse reencontro. Durante os dias em que os antigos presos voltaram ao Tarrafal, gravámos entrevista após entrevista, registando as suas recordações.
Trinta e dois presos, desde o português Edmundo Pedro, um dos que o estreou, em 1936, aos angolanos e caboverdianos que foram os últimos a deixá-lo, no 1º de Maio de 1974, passando pelos guineenses que, ali chegados em Setembro de 1962, saíram em 1964 uns, em 1969 os restantes. Um guarda, Joaquim Lopes, caboverdiano e convertido ao PAIGC. Uma das raras pessoas que testemunhou a vida no Tarrafal desde a sua abertura ao seu encerramento, Eulália Fernandes de Andrade, mais conhecida por D. Beba. O documentário faz-se das memórias dos antigos presos, filmados nesse espaço confinado em que viveram durante anos, “fechados como se fôssemos cabras, com um fosso à volta, arame farpado e um muro, com os nosso irmãos, armados, a guardarnos.” (Evaristo Miúdo). Ouvimo-los sentados, quase todos, ao lado da “holandinha” – uma cela de castigo, pouco mais alta que um homem em pé, pouco mais comprida que um homem deitado, pouco mais larga que um homem sentado, com uma pequena janela gradeada.

Trinta e dois presos, desde o português Edmundo Pedro, um dos que o estreou, em 1936, aos angolanos e caboverdianos que foram os últimos a deixá-lo, no 1º de Maio de 1974, passando pelos guineenses que, ali chegados em Setembro de 1962, saíram em 1964 uns, em 1969 os restantes. Um guarda, Joaquim Lopes, caboverdiano e convertido ao PAIGC. Uma das raras pessoas que testemunhou a vida no Tarrafal desde a sua abertura ao seu encerramento, Eulália Fernandes de Andrade, mais conhecida por D. Beba.

O documentário faz-se das memórias dos antigos presos, filmados nesse espaço confinado em que viveram durante anos, “fechados como se fôssemos cabras, com um fosso à volta, arame farpado e um muro, com os nosso irmãos, armados, a guardarnos.” (Evaristo Miúdo). Ouvimo-los sentados, quase todos, ao lado da “holandinha” – uma cela de castigo, pouco mais alta que um homem em pé, pouco mais comprida que um homem deitado, pouco mais larga que um homem sentado, com uma pequena janela gradeada.

Esta é a história de homens a quem quiseram destruir toda a esperança e que souberam resistir até à vitória: Porque no Tarrafal nós inventámos a vida, sempre!"
 


 TESTEMUNHOS

- por ordem de entrada no filme -


Edmundo Pedro (Portugal)
Eulália de Andrade, D. Beba (Cabo Verde)
Joaquim Lopes, guarda (Cabo Verde)
Cândido Joaquim da Costa (Guiné)
Caramó Sanhá (Guiné)
Francisco Mendes Vieira (Guiné)
Manuel Neves Trindade (Guiné)
Carlos Sambu (Guiné)
Augusto Pereira da Graça (Guiné)
Macário Freire Monteiro (Guiné)
Nobre Pereira Dias (Angola)
Amadeu Amorim (Angola)
Fernando Correia (Guiné)
Mário Soares (Guiné)
Jorge da Silva (Guiné)
Agnelo Lourenço Fernandes (Guiné)
Lote Sachicuenda (Angola)
Augusto Kiala Bengue (Angola)
Evaristo “Miúdo” (Angola)
Silva e Sousa (Angola)
Joel Pessoa (Angola)
Lote Soares Sanguia (Angola)
Jaime Cohen (Angola)
Alberto Correia Neto (Angola)
Vicente Pinto de Andrade (Angola)
Justino Pinto de Andrade (Angola)
Carlos Tavares (Cabo Verde)
Luis Fonseca (Cabo Verde)
Jaime Scofield (Cabo Verde)
Luís Mendonça (Cabo Verde)
Arlindo Borges (Cabo Verde)
António Pedro Rosa (Cabo Verde)
Pedro Martins (Cabo Verde)

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Mouvements de gestion directe au Portugal (Autogestion et Socialisme n° 33-34)

 Autogestion et Socialisme n°33 à 34
mouvements de gestion directe au Portugal - Janvier - Mars 1976.



Nous publions, dans ce numéro, comme nous l'avions annoncé, un ensemble d'études et de documents sur le Portugal. On pourra estimer que cela vient un peu tard et qu'encore une fois, comme l'oiseau de Minerve, nous ne prenons notre vol qu'au crépuscule.
Cette mésaventure nous est, en effet, déjà arrivée à propos de la Tchécoslovaquie. La documentation de premier ordre, rassemblée traduite et présentée par Joseph et Vladimir Fisera, ne put paraître qu'après que «l'aide fraternelle y compris une aidée armée», spontanément apportée par «les pays du pacte de Varsovie» eut privé l'intense mouvement des conseils ouvriers de toute perspective. Le printemps de Prague fut gelé.(...)

A cause du retard que nous avions pris, nous avons,, de nouveau, recours au numéro double et ajoutons à ces textes sur le Portugal un ensemble d'articles qui ouvrent un débat sur le sens actuel du marxisme.


Première partie

Révolution des oeillets et actions autonomes au Portugal

Yvon BOURDET: Révolution et institutions

Par un collectif de Porto du journal Combate: L'autogestion au Portugal: sa portée et ses limites

Béatrice d'ARTHUYS et Marielle Christine GROS :
 Les commissions de «Moradores» : Organisation ou pouvoir populaire

Documents

I - Liste des entreprises en lutte

Il -Textes écrits par les travailleurs

III - Visites de coopératives

IV -Textes d'organisations: Luar, Copcon, Mes

Note bibliographique: Publications en français sur la révolution portugaise

Deuxième partie

Débat sur le marxisme (Léninisme-stalinisme ou autogestion)

Henri LEFEBVRE: Une interview

Maximilien RUBEL: Le concept d'autopraxis du prolétariat

A propos d' A. Glucksmann, la cuisinière et le mangeur d'hommes:

Louis JANOVER: Le marxisme dans leurs têtes

Christine FAURE: Pourquoi j'ai aimé ce livre?

Yvon BOURDET: Marxisme et théorie révolu­tionnaire, lecture de Cardan, relecture de Cas-toriadis

Chroniques

Olivier CORPET: Communautés de base et

autogestion en Afrique

Peretz MERHAV: Crise au Kibboutz ?

Joseph PISERA: Dossier: Conscience et conscientisation (En partant du «Portugal» vers la confirmation de l'importance des recherches de Paulo FREIRE et de ses collègues)

Comptes rendus

Fourier en ce temps-ci (C. MAILLARD)

Charles FOURIER: Vers la liberté en amour Textes choisis et présentés par Daniel Guérin (C. MAILLARD)

Simone DEBOUT: «Griffe au nez» ou donner «hâve ou art» écriture inconnue de Charles Fourier (C. MAILLARD)

Karl KORSCH: Marxisme et contre-révolution, dans la première moitié du XXème siècle (Yvon BOURDET)

Guy Le BOTERF: Formation et Autogestion (Jacques GUIGOU)

Philippe KAEPPELIN: Pratique de l'autogestion éducative Le stage de formation pour adultes (Jacques GUIGOU)

Rémi HESS: La Socianatyse (Jacques GUIGOU)

Yvon BOURDET et Alain GUILLERM: L'Autogestion (Jacque­line PLUET)

Jean-François REVEL: «La tentation totalitaire» (Olivier CORPET)

F.DOMELA NIEUWENHUIS: «Le socialisme en danger» (Gilles BATAILLON)

Livres reçus 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O jornal combate e as lutas sociais autonomistas em Portugal durante a revolução dos cravos (1974 1978) / Danúbia Mendes ABADIA

O jornal combate e as lutas sociais autonomistas 
em Portugal durante a revolução dos cravos
(1974 1978)

Danúbia Mendes ABADIA


https://www.mediafire.com/file/k7111vc7cg01gum/O%20jornal%20combate%20e%20as%20lutas%20sociais%20autonomistas%20.pdf



"O golpe realizado pelo Movimento das Forças Armadas em 25 de Abril de 1974 marcou o fim de 48 anos do regime fascista em Portugal. No entanto, logo após o 25 de Abril, a reorganização das novas estruturas de poder e a retomada do processo de acumulação do capital no país era desestabilizada por um vasto processo de autoorganização dos/as trabalhadores/as. O desenvolvimento da prática autogestionária das lutas nas empresas, nos bairros, nos campos e nas colonias portuguesas foram acompanhadas pelo coletivo que organizou o jornal COMBATE, entre junho de 1974 e fevereiro de 1978; foi a partir do acompanhamento das lutas autonomistas que tomavam lugar no processo da revolução que o COMBATE pode diagnosticar, in loco, a processualidade no modo de desenvolvimento do capital, assim como as diversas formas de organização autônoma da classe trabalhadora."



domingo, 6 de dezembro de 2015

PORTUGAL: UNE COMMISSION DE TRAVAILLEURS TROIS ANS APRES

25 avril 1974 - 25 avril 1977
PORTUGAL: UNE COMMISSION DE
TRAVAILLEURS TROIS ANS APRES
Aux transports aériens portugais: 
 l'exemplaire montée de la droite

« Ma présence — à titre personnel dans l'Intersyndicale — s'inscrit dans la ligne d'unité que j'ai toujours défendue. Les partis doivent effacer leurs divergences au niveau syndical. L'entente doit être faite non entre les partis mais entre les hommes ayant une plate-forme commune. Les travailleurs ne doivent pas opter en fonction de leurs partis mais de leur classe » : quelques jours avant que Mario Soares ne définisse la « ligne syndicale » du PS en condamnant notamment la présence de militants du PS dans l'Intersyndicale, Kalidas Barretto, un des dirigeants ouvriers les plus importants du Portugal, militant de l'aile gauche du PS nous réaffirmait la nécessité de « l'unité à la base ».

Selon Kalidas Barretto, le refus de cette unité de la part du PS ne pourra à terme, et si il se poursuit que faire perdre au PS toutes ses commissions syndicales et éloigner de ses rangs tous les dirigeants syndicaux. Déjà la politique du gouvernement socialiste a entraîné la démobilisation de nombreux militants socialistes ainsi que la perte de plusieurs commissions syndicales ou de travailleurs pour le PS. Ainsi « l'indéfinition » de la ligne syndicale du PS et sa méfiance à faire une alliance avec les travailleurs de gauche a permis au PSD (ex-PPD) de remporter les élections à la Caisse générale des dépôts. Il en est de même au « Syndicat des banques du sud » où la direction syndicale socialiste a été battue par le PSD alors que l'ensemble des voix PS-PC atteignait le double de celles obtenues par le PSD. Si il est vrai que la coalition de droite PSD-CDS ne l'a jamais emporté dans les entreprises où les ouvriers sont majoritaires, leurs récentes victoires dans les entreprises ayant un secteur tertiaire très développé est inquiétante. Le cas de la TAP est à ce sujet significatif.

Une commission de travailleurs refusant de convoquer une assemblée générale et — ce que même la direction de l'entreprise ne fait pas — interdisant aux travailleurs de se réunir sur leur lieu de travail. Telle est, trois ans après le 25 avril, la situation dans une entreprise qui a pourtant derrière elle une tradition de lutte remontant bien avant la « Révolution des capitaines » : les Transports aériens portugais (TAP).

Une entreprise, il est vrai pas tout à fait comme les autres. « Mini-Portugal », disent les uns, faisant allusion à la présence au sein même de la TAP de la hiérarchie des salaires existant à l'échelle nationale : le plus fort salaire du pays est actuellement celui de son président. « Première multinationale portugaise » rétorque la direction se référant au fait que sur les 9000 travailleurs de la TAP, 1200 environ sont employés à l'étranger. « Entreprise dans laquelle réaliser une unité de lutte relève de l'exploit », expliquent les ouvriers qui se savent très minoritaires (environ un tiers des effectifs) face au personnel administratif et « volant ».

Mais, exemple significatif aussi du reflux actuel des « organisations de base » et des difficultés rencontrées par les travailleurs, lorsque, comme c'est le cas à la TAP, les Commissions de travailleurs (CDT) sont contrôlées par la coalition de droite PSD-CDS (parti social démocrate, ex-PPD — Centre démocratique et social) pour faire respecter des droits élémentaires, notamment le droit de réunion. Significatif aussi des conséquences du « partidarisme » et de la « désunion » de la gauche : la coalition PSD-CDS a pu prendre le contrôle de la CDT d'une part parce que les luttes partidaires ont divisé les travailleurs. D'autre part parce que le personnel administratif et les « volants » , traditionnellement conservateurs, ont profité du nouveau rapport de forces instauré dans le pays après le 25 novembre pour se faire entendre, aidés en cela par l'attitude du PS et aussi du PC.

TRADITION DE LUTTE

En 1973, les ouvriers de la TAP font grève et affrontent pour la première fois la police de choc de Caetano qui les expulse des locaux. Trois ans auparavant, en 70, les ouvriers métallurgiques du district de Lisbonne, s'engouffrant dans la timide « ouverture » syndicale de Caetano (très relative puisque les réunions étaient interdites), parviennent à battre la liste fasciste lors des élections du syndicat des Métallos. La majorité de la direction du Syndicat des Métallos est alors composée de travailleurs de la TAP. Mais la direction des métallos ne fonctionnera que quatre mois. Caetano, destituant et emprisonnant en 70 son président, Santos Junior.

LE PIEGE DE LA CO-GESTION

En avril 74, les ouvriers de la TAP sont parmi les premiers à exiger, après l'avoir décidé en assemblée générale, l'expulsion de la direction fasciste. Immédiatement les ouvriers, auxquels se sont joints de nombreux employés, désignent trois travailleurs pour gérer l'entreprise tandis que la « Junte de Salut Nationale » nomme les autres membres de la direction. «  Nous avons fait une erreur en désignant ces trois personnes : c'était admettre la co-gestion. Erreur d'autant plus grave qu'en acceptant l'augmentation de leur salaire de 11 000 à 52 000 escudos, deux des trois ouvriers ont porté un coup terrible aux travailleurs qui ont exigé leur départ de l'administration. Dès lors, la nomination des administrateurs a été du ressort du gouvernement », se souvient Santos Junior qui fit pantie des trois commissions créées après le 25 avril (CDT, Commission syndicale et commission d'assainissement).

LA MILITARISATION DE LA TAP

Très vite, les ouvriers réclament une réduction de l'échelle des salaires, le gel des salaires, la révision des horaires de travail (les « administratifs » font 37 h 1/2 par semaine, les ouvriers 40 à 44 heures). Dans les assemblées, le tertiaire et les « volants» s'opposent aux ouvriers tandis que le CPC les condamne. Au nom de la « sauvegarde de l'économie portugaise » et en les accusant d'être « manipulés par la CIA La paralysie d'un hangar entrainera l'intervention des commandos et de Jaime Neves.

Neves pointait sa G3 sur les ouvriers en leur ordonnant de reprendre le travail. Bien qu'il ait quasiment pris un travailleur en a otage a dans un Chaimite, nous avons refusé de le faire », se souvient un ouvrier. Sept ouvriers désignés par le PC comme « agitateurs a ont été expulsés et conduits dans une caserne : une gigantesque manifestation de rue a exigé leur libération puis leur réintégration.

LUTTES PARTIDAIRES

Viennent alors les élections pour les CDT : véritables luttes partidaires, elles ont, de six mois en six mois, divisé les travailleurs. Leur « coloration » politique suivra à peu près l'évolution de la situation politique portugaise : la première CDT était composée essentiellement d'indépendants et d'éléments de gauche révolutionnaire, la seconde contrôlée par le MRPP, la troisième par le PS, la quatrième aujourd'hui par la coalition PSD-CDS !

Comment expliquer ce « glissement » ? Le 25 novembre a marqué la transition d'une commission à une autre. Le PS a profité du nouveau climat politique pour, en s'appuyant sur les éléments les plus conservateurs, prendre le contrôle de la CDT. « C'est la commission PS qui a ouvert la voie au PSD et au CDS, explique un métallo de la TAP. Elle refusait les AG, affirmait cyniquement qu'elle ne respectait pas les statuts, imposait que toute le personnel de la TAP, y compris les employés en poste aux USA ou ailleurs aient le droit de vote ; ne discutait jamais de nos problèmes. Le vote secret, le refus de tenir des AG, les nouveaux statuts impossibles à discuter, qui caractérisent aujourd'hui notre situation sont le fruit du travail du PS ».

Lors de la discussion des statuts de la CDT, la division de la gauche a permis au PSD-CDS d'imposer son statut contre les trois statuts différents présentés par le PC, le MRPP et le PS. Résultat : le PSD a imposé son statut avec 1000 voix tandis que le PS en obtenait 800, le PC 400 et le MRPP 120. Mais surtout, fait significatif de l'écoeurement et de la démobilisation de la plupart des travailleurs à l'égard des affrontements partidaires, du refus d'alliance de la gauche et de l'impossibilité de discuter des statuts... 6700 travailleurs se sont abstenus ! Le coup de semonce donné par l'approbation des statuts du PSD-CDS a toutefois créé un sursaut chez les « indépendants » qui ont tenté d'unir toutes les forces de gauche pour éviter la victoire prévisible de la droite à l'élection de la CDT en février dernier. En vain. « Le PS a refusé de parler avec le PC, le MRPP aussi. Le PC a parlé de faire plusieurs réunions unitaires pour combattre la droite mais n'a rien changé à ses pratiques sectaires en tentant de tout hégémoniser. Les indépendants voulaient appeler à une réunion de tous les anti-fascistes de la TAP pour discuter des programmes des différentes listes. Le PC a répondu que « le terme anti-fasciste » divisait les travailleurs. Finalement, les indépendants n'ont plus participé aux réunions », rapporte un syndicaliste ouvrier.

Le PSD-CDS n'a eu qu'à tirer les marrons du feu, aidé en cela par l'avancée générale de la droite : sa liste l'a emporté lors des élections pour élire les représentants de la CDT avec 2000 voix (le plein des voix du personnel d'aviation notamment), le PS obtenant 1800 voix, le PC 1400 et 3000 travailleurs préférant s'abstenir.

UNITE TARDIVE

Il a fallu cette énorme défaite pour que PC, PS et MRPP s'unissent et élisent un secrétariat. Trop tard : la CDT est aujourd'hui bien en place et refuse tranquillement de convoquer une AG, refuse toute salle de réunion, intervient dans le champ syndical... « La commission est plus à droite que la direction, dit un métallo. La crise économique ouvre cependant de bonnes perspectives de lutte. Mais j'ai très peu confiance : chacun va tenter à nouveau de tirer la couverture à soi »

Pendant ce temps, la direction de la TAP déclare que le déficit important de la compagnie est dû aux «revendications exagérées des travailleurs et à la crise du tourisme ». « Faux, répond l'un des dirigeants ouvriers de la TAP. La direction a décidé une augmentation des gérants de 4500 escudos par mois alors que les ouvriers n'ont pas été augmentés de plus de 700 escudos. C'est la première fois depuis le 25 avril que la direction décide d'abandonner la politique de gel des salaires. Ainsi va le Portugal. Mais cela va peut-être nous permettre aussi de remobiliser les travailleurs ».




Libération le 27 avril 1977

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Les Grandes Ondes (à l'ouest) en DVD

Les Grandes Ondes (à l'ouest) 


Avril 1974. Deux journalistes de la radio sont envoyés au Portugal pour réaliser un reportage sur l’entraide suisse dans ce pays. Bob, technicien proche de la retraite, les accompagne à bord de son fidèle combi VW. Mais sur place, rien ne se passe comme prévu : la tension est à son comble entre Julie, la féministe, et Cauvin le reporter de guerre roublard. La bonne volonté de Pelé, le jeune traducteur portugais, n’y fait rien : la petite équipe déclare forfait. Mais le vent de l’Histoire pousse le Combi VW en plein coeur de la Révolution des Oeillets, obligeant cette équipe de Pieds nickelés à prendre part, et corps, à cette folle nuit du 24 avril 1974.

est un film suisse réalisé par Lionel Baier, sorti en 2013 en Suisse
85 minutes

Décalé, frais et poétique......en DVD.