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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Reflexão sobre a estratégia da luta das classes em Portugal. - anónimo sec.XX (Situationnisme au Portugal)

Reflexão sobre a estratégia 
da luta das classes em Portugal. 
anónimo sec.XX 

Braga: Edições Espaço, 1976. 55p.


AVISO AOS POSSÍVEIS LEITORES
Não quisemos nem pudemos analisar até à exaustão neste panfleto todos os problemas da estratégia da luta das classes em Portugal.

Não quisemos porque não escrevemos para especialistas da politica, mas tão só para os nossos camaradas de combate que, estamos certos, não precisam de grandes razões para compreenderem a necessidade e a oportunidade da luta do proletariado, a sua e a nossa luta, bastando-lhes uma simples troca de reflexões básicas que todos utilizaremos como ferramenta da vitória.
 
Não pudemos porque não somos um escritor, profissional ou amador, preferindo sempre o calor da revolta quotidiana contra todas as opressões e alienações e a leitura calma dos livros dos outros, à trabalheira de se ter que ser brilhante ou ao incómodo de se ser banal. E só nos resolvemos a apresentar este alinhavado de ideias sob um aspecto editorial porque um jornal que se diz revolucionário, a Gazeta da Semana, não foi capaz de nos publicar o primeiro capítulo sobre os militares, negando-nos a possibilidade de trocar impressões com os nossos camaradas sobre as derrotas passadas e as perspectivas presentes. Não íamos, portanto, ficar dependentes das conveniências tácticas de momento da dita gazeta.
 
Procuramos, neste panfleto, ser sempre lúcidos. Um dos grandes defeitos da literatura revolucionária sobre a luta das classes em Portugal e' ter sido quase sempre optimista (caso de La Guerre Socíale au Portugal, éditions Champ Libre). Nós quisemos ser implacáveis nunca esquecendo, porém, que se os erros do proletariado português são os deste tempo e os desta sociedade, as suas virtudes lhe pertencem exclusivamente.
 
Com isto vai-se a toda a parte, e se não se vai à posteridade é porque não há posteridade para uma classe que como o proletariado só vive no presente.
 
Coisas muito belas se passaram nestes dois anos em Portugal. Mas como diz Fernando Pessoa «tudo o que sonhei morri-o» para o poder fazer renascer das cinzas metamorfoseado em realidade.



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