Sindicalismo Revolucionário A história de uma idéia de Joana Dias Pereira
Ao analisar a evolução ideológica do operariado moderno esta tese debruça-se igualmente sobre a conjuntura excepcional em que o seu movimento teve origem. O Sindicalismo revolucionário constitui-se como uma manifestação intelectual inédita e irrepetível, unicamente contextualizável no ocaso do liberalismo.
As massas operárias em acção, no contexto de decadência do sistema oligárquico, convenceram anarquistas e socialistas a abandonar antigos sectarismos em favor da unidade e da consequente possibilidade de transformar de facto a sociedade capitalista.
O Sindicalismo Revolucionário providenciou uma síntese de postulados que permitiu a conciliação das distintas escolas socialistas. Esta doutrina desempenhou um papel destacado durante a I República, deixando de herança uma reflexão única sobre a realidade da sua época e a memória de uma luta sem tréguas para evitar que o colapso da Europa liberal se traduzisse na guerra generalizada e posteriormente no autoritarismo.
Com efeito, o carácter revolucionário do sindicalismo, neste período, não tinha apenas o objectivo de substituir a ineficácia do reformismo, pretendia construir uma alternativa social para um regime em decadência.
Trabalho realizado no ambito das disciplinas Bibliografia e Metodologia da Investigacao em Bibliotecas e Arquivos do Curso de Especializa¸c˜ao em Ciencias Documentais da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Neste livro, são analisadas as políticas do Estado colonial português em Angola, no momento em que as revoltas de libertação abriram as portas à descolonização. Os principais acontecimentos em análise são as revoltas de 1961, nas plantações de algodão da Baixa de Cassange, nas prisões de Luanda e nas regiões de produção de café do Uíge. Do estudo dos acontecimentos, investigam-se alguns processos capazes de ajudar a ir mais fundo na reconstituição dos modos de tomada de decisão. Foi assim que foram traçádas a longa história da destribalização, a do sistema carcerário e a da Casa dos Estudantes do Império, no confronto com o trabalho que veio a ser desenvolvido pelo Gabinete dos Negócios Políticos. Este último foi a principal organização da administração central que tratou as informações de todo o império e elaborou planos proto-totalitários, em tempo de revoltas.
Memória Subversiva: Anarquismo e Sindicalismo em Portugal (1910-1975)
Nas primeiras décadas do século XX a ideia anarquista e particularmenteo sindicalismo anarquista foram uma força pujante em Portugal. A CGT (Confederação Geral do Trabalho – anarco-sindicalista) era a única Central Sindical que existia no País. A sua publicação, A Batalha, chegou a ser o terceiro diário de maior circulação no País.
“Memória Subversiva: Anarquismo e Sindicalismo em Portugal (1910-1975)”, realizado por José Tavares e Stefanie Zoche, é o único documentário sobre este movimento, reunindo os testemunhos de vinte e um activistas anarquisas e sindicalistas.
“No 18 de Janeiro o nosso plano era atacar a esquadra da policia, sabotar a hidro-eléctrica, cortar a linha telegráfica.”
“Morreram 30 homens no Tarrafal. Só isto revela bem a dureza daquele campo.”
“Já não havia liberdades nenhumas. Os nossos militantes estavam presos. Não havia outra solução, senão abater a figura principal.”
“Setúbal era uma cidade onde havia muitos anarquistas. Havia
muitos mesmo. Tanto assim que chamavam a Setúbal a Barcelona portuguesa.”
“O 25 de Abril foi uma revolução traída. Traída pelos cravos vermelhos que encravaram as espingardas.”
Desenterrar as palavras que ferem, que
inquietam, que apaixonam, que atormentam, que comovem,
que laceram a pele abrindo sulcos onde o sangue escorre vivo e quente
fazendo-nos sentir vivos de ardor e paixão. O subterrâneo é o
lugar da maldição, da danação, da excreção, é o lugar dos
seres noctívagos, malfadados e nefários, dos vermes, é o espaço do
oculto, do misterioso, do inominável. É dele que ansiamos extrair a
antítese do existente para provocar a desordem e a inquietação nos espíritos que
apaticamente por aí deambulam. Queremos que essas palavras venham à
superfície e entoem as histórias, os pensamentos, as críticas, os cantos e
invectivas impuras enterradas no subterrâneo pelos defensores desta
realidade assepticamente pútrida. Sentimos essa necessidade
asfixiante de libertar as vozes dessas criaturas que confrontam os
fundamentos do estado de coisas instituído, trazendo à superfície
escritos subversivos e malditos que não se conformem com o uso dócil, insípido e
castrador da palavra. Somos a ratazana que na noite mais escura emerge para empestar este mundo de textos subterrâneos.