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Pour Une Intervention Communiste [PIC]
Commission Internationale
B.I.N°3 Février 1976
6p.
Émission de Radio Vosstanie !
Du dimanche 23 Mai 2021
avec Rita DELGADO
Militante révolutionnaire internationaliste.
2h19 minutes
Itinéraire et engagement autour de la lutte des classes, la lutte contre le fascisme au Portugal, Contre le capitalisme d’État et privé, les partis.
Le 25 avril 1974 et la création du journal Combate, des éditions Contra a Corrente.
Pour l'autonomie ouvrière.
*
Ce son s’inscrit dans notre travail de mémoire et d'archives sur la lutte des classes au Portugal initié en 2014 avec le site ArQoperaria.net.
Émission avec João BERNARDO
sur la parution de :
ÉCONOMIE DES PROCESSUS RÉVOLUTIONNAIRES
[Vosstanie Éditions]
- Marxisme orthodoxe et marxisme hétérodoxe
- Les nouvelles relations sociales
- Le développement des nouvelles relations sociales
- L'effondrement des nouvelles relations sociales
Suivi de :
Pratique, idéologie et autonomie des travailleurs : Entrevue avec João Bernardo
(Revue Ruptura)
Bibliographie de João Bernardo
Postface du traducteur.
Adolfo Kaminsky, judeu russo de nacionalidade argentina, tinha 17 anos
quando foi despejado de casa, com a família, e enviado para o campo de
concentração de Drancy. Os seus passaportes argentinos garantiriam à
família Kaminsky a libertação deste campo, salvando-os, por uma questão
de horas, da deportação para Auschwitz.
Já com a fuga de França marcada, Kaminsky é recrutado pela 6ª, o braço
secreto do UGIF, onde se tornaria o mais jovem falsificador ao serviço
da Resistência francesa e onde o seu trabalho garantiria salvo-conduto a
milhares de judeus nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial.
Após a tomada de Paris, Kaminsky é recrutado pelos serviços secretos
franceses, que abandona aquando da Guerra da Indochina. Regressado à
clandestinidade, nas décadas seguintes viria a colaborar com a
resistência antifranquista, com resistente gregos contra a ditadura dos
coronéis, com antissalazaristas em Portugal, com a Frente Nacional de
Libertação da Argélia, com objetores de consciência norte-americanos
durante a Guerra do Vietname, com vários movimentos de esquerda na
América do Sul e com diversos movimentos independentistas africanos
(Guiné, Guiné-Bissau, Angola e África do Sul).
Kaminsky nunca aceitou dinheiro pelo seu trabalho de falsificador,
recusando tornar-se um mercenário e comprometer os ideais maiores de
liberdade e dignidade humana que o guiavam. Esta é a história de um
verdadeiro herói.
Inclui glossário de Luísa Gabão e José Hipólito dos Santos.
Posfácio de Irene Hipólito dos Santos.
Bertrand Editora, setembro de 2020 216 páginas
O RETRATO DA DITADURA PORTUGUESA
Edgar Rodrigues
Edição Mundo Livre (1962) , Rio de Janeiro, 216pgs.
A RAZÃO DÊSTE LIVRO
Com a publicação de "O RETRATO DA DITADURA PORTUGUÊSA”, tem o autor a intensão de divulgar a vasta documentação que colecionara durante a sua longa e penosa permanência em Portugal. Por outro lado, protestar contra essa negra e sinistra figura que outrora dirigia o “CORREIO DE COIMBRA" e sob o pseudônimo de Alves da Silva usava e abusava da liberdade de pensamento escrito e falado, e que agora tão covardemente arrebata aos seus concidadãos.
Alguém – que ao tempo me pareceu muito acertado – afirmara que os ditadores amam demasiadamente a liberdade, por isso a querem só para eles, em vez de a dividirem com os seus semelhantes. Todavia isso não é exato! O ditador português não tem liberdade e também não ama a liberdade, pois se tornou um escravo do sistema que criara para tirar a liberdade aos demais; escravizando, tornou-se escravo de si mesmo. Salazar é um escravo que escraviza, um mentiroso que obriga os outros a mentirem; um criminoso que impele os seus auxiliares a prender, torturar e matar; um escamoteador, que incita os seus auxiliares a roubar.
Tirar a liberdade é roubar; apoderar-se da literatura social – ato corriqueiro e muito praticado nos correios portuguêses, onde funciona a polícia política a mando do famigerado ditador – é furtar, e tudo isso é executado por um sistema ditatorial do qual são vítimas os que perseguem e os que são perseguidos. Oliveira Salazar tem larga semelhança com José Duro, o poeta tuberculoso, que em seu livro ”Fel” afirmava odiar à vida, só porque se sentia morrer lentamente, só porque não podia viver como os demais. E conclui-se que: Salazar é uma vítima da angústia, doença que tenta transferir para os seus concidadãos. Quem algum dia já viu o ditador alegre, divertido, falando da família ? das crianças que alegram a vida? Salazar, como o poeta tuberculoso, odeia a vida, porque não vive! Repudia a família, porque não a tem! Não permite que se fale livremente e encera os que tentam usar a liberdade, porque gosta das trevas como o morcego procura os subterrâneos e a solidão.
No meu protesto não almejo fazer o jogo de qualquer movimento político partidário, correntes a que estou alheio por convicção ideológica. Tão pouco pretendo atacar os homens como cidadãos, como chefes de família, mas tão só como políticos dirigentes dum sistema ultrapassado e pontilhado de sangue aqui e ali, ao longo de uma existência de mais de 30 anos.
Não esqueço também, os "anti-fascistas”, e oposicionistas, de todas as correntes – que se perdem em discrepâncias banais e se subdividem pelo exilio e em Portugal – sem olhar para esse passado de 34 anos de oposição, trabalho até agora feito para derrubar a ditadura, e que na realidade, mais ajudou a consolidá-la do que liquidá-la definitivamente. O balanço das vítimas da ditadura – já não direi dos atingido pela falsa educação e vítimas da mistificação de Fátima – mas dos que morreram pelas prisões ou fora delas, mas em conseqüência das mesmas, e dos que a cada instante transpõem os Umbrais das câmaras de tortura, e que atinge a casa dos milhares, sem que dêsse sacrificio se tenha sacado resultados práticos. Eis a realidade nua.
Já lá vão 34 anos, tempo demasiadamente longo para se planejar e executar a derrubada de uma tirania, que só pela força veremos desaparecer. Ninguém levará à Península Ibérica a liberdade, a não ser conquistada pelo próprio povo de Portugal e da Espanha. A liberdade do Povo Ibérico terá que ser uma conquista do próprio povo e não uma dádiva circunstancial, para ficar como está, com rótulo diferente.
As páginas que o leitor lerá, não têm o bom sabor e o brilho literário que lhe poderiam em prestar os mestres da gramática - que não raro se perdem atrás do estilo, esquecendo a substância e os fatos, – tão pouco se destina a agradar as correntes da direita ou da esquerda. Sua missão é a de trazer a verdade amarga e cruel, mas a verdade.
Edgar Rodrigues