Jornal COMBATE - 2 publicações Vosstanie Editions

Jornal COMBATE - 2 publicações Vosstanie Editions
Jornal COMBATE - Vosstanie Editions

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

ARQUIVOS: ABRIR AS CAIXAS. DEVOLVER AR ÀS BRASAS.


ARQUIVOS: ABRIR AS CAIXAS. DEVOLVER AR ÀS BRASAS.

Rita Delgado, uma das militantes que estiveram na origem do jornal Combate — cuja coleção integral, bem como uma antologia dos seus editoriais, já publicámos nas Éditions Vosstanie — e das edições Contra a Corrente, confiou-me os arquivos que conservava desta experiência editorial e política ligada ao projeto revolucionário anti-autoritário que atravessou o Portugal do pós-25 de Abril.

Antes do livro, abrir as caixas.

Arquivos: Abrir as caixas. Devolver ar às brasas é um pequeno filme sobre esse primeiro gesto: retirar os documentos, voltar a tocar nesses papéis, deixar reaparecer os vestígios de uma história que o tempo não apagou completamente.

Porque há brasas que esperam apenas um pouco de ar.

Depois virá o livro: uma antologia das brochuras publicadas pela Contra a Corrente, acompanhada pela história desta aventura editorial, política e revolucionária.

Em breve.

ARCHIVES : OUVRIR LES CARTONS. RENDRE DE L’AIR AUX BRAISES.

Rita Delgado, l’une des militantes à l’origine du journal Combate — dont nous avons déjà publié l’intégralité ainsi qu’une anthologie des éditoriaux aux Éditions Vosstanie — et des éditions Contra a Corrente, m’a confié les archives qu’elle avait conservées de cette expérience éditoriale et politique liée au projet révolutionnaire anti-autoritaire qui traversa le Portugal de l’après-25 Avril.

Avant le livre, ouvrir les cartons.

Archives : Ouvrir les cartons. Rendre de l’air aux braises est un court film autour de ce premier geste : sortir les documents, toucher à nouveau ces papiers, laisser réapparaître les traces d’une histoire que le temps n’a pas entièrement effacée.

Parce qu’il est des braises qui n’attendent qu’un peu d’air.

Viendra ensuite le livre : une anthologie des brochures publiées par Contra a Corrente, accompagnée de l’histoire de cette aventure éditoriale, politique et révolutionnaire.

Prochainement.

domingo, 7 de junho de 2026

Nouvelle émission de RADIO VOSSTANIE ! avec Irene Hipólito dos Santos

 

Nouvelle émission de Radio Vosstanie !

avec

Irene Hipólito dos Santos

Autour du livre

« A vida faz-se de acasos e valores »

« La vie se fait de hasards et de valeurs »


Un son autour du livre consacré à la trajectoire de José Hipólito dos Santos.
Une conversation sur l’exil, la clandestinité, les faux papiers, la prison, les silences et la lutte contre le salazarisme, du 25 avril 1974 au Portugal.
Au-delà du parcours militant, il sera question de filiation, de transmission, et de ce qui reste vivant d’une existence tenue par une éthique, des valeurs et des rencontres.
.



segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

As Armas e o Povo [1975] - Ultra HD de restauro em 35

As Armas e o Povo [1975]

As Armas e o Povo (1975) é um documentário português de longa-metragem, no qual são ilustrados os primeiros seis dias da Revolução dos Cravos.

É um filme colectivo realizado e produzido pelo Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica, por iniciativa do Sindicato Nacional de Profissionais de Cinema que retrata o período vivido entre o dia 25 de Abril de 1974, data em que se dá a revolução portuguesa e o 1º de Maio (Dia do Trabalhador) desse ano.

As filmagens ficam a cargo de vários realizadores portugueses aos quais se junta o realizador brasileiro Glauber Rocha que se encontrava exilado na altura. Dividem-se em 10 equipas saem para a rua onde acompanham os acontecimentos do primeiro 1 de Maio (Dia do Trabalhador) pós-revolução.A estas filmagens juntam imagens captadas a partir do 25 de Abril. 

Estreia no Teatro Rosa Damasceno, em Santarém, em Novembro de 1977.

 
 
Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica • 2020 Cinemateca Portuguesa 81 min + 40 min (complemento) • 1 DVD; digitalização Ultra HD de restauro em 35 mm conservados pela CP-MC; 1 documentário SOBRE AS ARMAS E O POVO (2019), assinado por Manuel Mozos, assinalando a produção deste documentário histórico; 1 brochura ilustrada de 76 páginas com textos em português e inglês com ensaios inéditos de Paulo Cunha, Mickäel Robert-Gonçalves & Ismail Xavier • Edição do DVD disponível na Livraria Linha de Sombra • Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinem.
 
 

OUTRO PAÍS de SÉRGIO TRÉFAUT [DVD]

OUTRO PAÍS 

de SÉRGIO TRÉFAUT 

1999, 70’, documentário | 

prod. SP FILMES | distribuição FAUX 


A Revolução Portuguesa (1974-75) vista por alguns dos maiores fotógrafos e cineastas internacionais que testemunharam o evento. Quais eram os seus sonhos e expectativas? O que ficou do sonho da revolução? Um documentário que revela arquivos históricos excepcionais.

Com: 

Sebastião Salgado, Glauber, Rocha, Robert Kramer, Thomas Harlan, Pea Holmquist, Guy Le Querrec, Dominique Issermann.

 


domingo, 21 de agosto de 2022

13 cartas de Portugal para Engels e Marx

13 cartas de Portugal para Engels e Marx

recolha, prefacio e noyas de César de Oliveira


Este volume reúne treze cartas, cujos manuscritos originais se encontram em Amsterdam no IISG, escritas por Nobre França, José Fontana e Azedo Gneco, que estiveram na origem, implantação e desenvolvimento do movimento operário organizado em Portugal. Elas constituem, por um lado, documentos de ruptura com a prática de colaboração de classes que desde O ECCO DOS OPERÁRIOS ao Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas orientou o associativismo das classes trabalhadoras portuguesas; por outro lado, sobretudo as cartas assinadas por Azedo Gneco fazem-se eco das contradições e ambiguidades de que, desde a sua fundação a 10 de Janeiro de 1875, enfermou o Partido Socialista. 

Iniciativas Edioriais Lisboa 1978. 78 paginas

 


terça-feira, 24 de maio de 2022

EMPREGADAS DOMÉSTICAS – MULHERES EM LUTA / Olegário Paz (1980)

EMPREGADAS DOMÉSTICAS – MULHERES EM LUTA 
PARA A HISTÓRIA DO SERVIÇO DOMÉSTICO EM PORTUGAL
DAS ORIGENS AO FASCISMO

 


O livro é dedicado a Maria da Conceição Ramos (que foi durante 17 anos empregada doméstica e 6 anos dirigente do Sindicato das Trabalhadoras do Serviço Doméstico) e a todas as companheiras que lutaram pela libertação da classe.

 

Edições BASE Colecção Movimento Operário - 1980 - 126pgs.

 

sábado, 16 de abril de 2022

Pelo Socialismo Autogestionário - Base-FUT (1979)

PELO SOCIALISMO AUTOGESTIONÁRIO
Conferência Nacional Pelo Socialismo Autogestionário da Base-FUT
 
(1979) 
 



Este livro acolhe a documentação da 1ª. Conferência pelo Socialismo Autogestionário promovida pela BASE- Frente Unitária de Trabalhadores, realizada no Porto em 13 e 14 de Maio de 1978.

Nele são transcritos os seguintes documentos: História e Objetivos da Conferência (Custódio de Oliveira), Tema de Abertura: “Socialismo Autogestionário – Uma Aspiração e Um Projeto” (Fernando Abreu), Textos das 11 Comunicações, das 4 Teses postas à discussão dos cerca de 400 participantes e o Comunicado Final – Síntese das Conclusões.

A publicação deste livro teve por objetivo alargar o debate sobre o Socialismo Autogestionário e contribuir para o reforço da reflexão da ação dos Movimentos nacionais e internacionais que partilham este Projeto de Sociedade., tendo tido assinalável interesse no Brasil, nomeadamente em meios académicos.


ÍNDICE

APRESENTAÇÃO


• 1.4 Conferência Nacional "Pelo Socialismo Autogestionário"
• História e Objectivos da Conferência
• Socialismo Autogestionário: Uma Aspiração e um Projecto.

COMUNICAÇÕES

• Empresas em Autogestão
• Acção Sindical
• As organizações de camponeses
• As Organizações autónomas de trabalhadores
• As Comissões de trabalhadores
• O ensino
• A alfabetização
• Animação cultural
• Os partidos e movimentos políticos
• Estrutura do Estado e fase de transição
• O projecto além fronteiras

TEMAS DEBATIDOS

• A Economia Portuguesa e a transição para o Socialismo Autogestionário
• As Organizações dos trabalhadores na construção do Socialismo Autogestionário
• Revolução Cultural: factor determinante para o Socialismo Autogestionário
• Alternativa política: O Socialismo Autogestionário

INTERVENÇÕES FINAIS

• Projecto da Base-Fut: O Socialismo Autogestionário
• Socialismo Autogestionário: Aspiração e Projecto de Milhões de Trabalhadores (Comunicado Final da Conferência)

ANEXOS

• Documentos Preparatórios da Conferência - Para um Debate sobre o Socialismo Autogestionário
• Introdução - A alienação da sociedade capitalista
• Análise Crítica aos Projectos Autogestionários em curso no País, após o 25 de Abril
• Projecto-Alternativa:O Socialismo Autogestionário


terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Anarchismus und Arbeiterkampf in Portugal / Peter Merten

Anarchismus
und
Arbeiterkampf in Portugal

Peter Merten 
 

 Hamburg (Deutschland) 
 Libertäre Assoziation, 
1981 - 251 p.

 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Prazer, Camaradas! - en DVD

Prazer, Camaradas!

de José Filipe Costa

Disponible en DVD.

Un documentaire / film original ... 

1975. Pós-revolução de 25 de Abril. Eduarda, João e Mick viajam da Europa do Norte para trabalhar nas cooperativas das herdades ocupadas em Portugal. Vêm ajudar nas actividades rurais e pecuárias, dar consultas médicas e de planeamento familiar, mostrar filmes de educação sexual e participar nos bailes tradicionais. Trazem muitas perguntas, mas os “camaradas do Sul” têm mais interrogações do que respostas: Querem saber quem somos? Como tratamos as nossas mulheres e crianças? Como convivemos e amamos? Venham daí! Vamos estranhar-nos, vamos desentender-nos de certeza, que tudo faz parte desta revolução-festa!




domingo, 26 de dezembro de 2021

Labirintos do Fascismo - Aulas : por João Bernardo (2008)

 Labirintos do Fascismo - Aulas

 O curso foi ministrado por João Bernardo em 2008, a convite do PET da história da USP.

 
«Nação proletária»
A junção do nacionalismo e do movimento operário. Enrico Corradini e Kita Ikki. A «nação proletária», o «nacional-bolchevismo» e a teoria do «social-fascismo». 
 
 
 
 
Definição de fascismo
Instituições endógenas do fascismo (partido, milícias, sindicatos) e instituições exógenas do fascismo (exército, Igrejas). Cruzamentos entre o fascismo, o socialismo e o liberalismo. Autoritarismo e totalitarismo. Teoria das elites e fascismo. 

 

 Terceira aula do Curso Labirintos do Fascismo:

O fascismo como estética
O fascismo como prática fictícia. A ritualização da política e os festivais de massas. A estetização da política conduz directamente ao fascismo.

 Quarta aula  do Curso Labirintos do Fascismo:

Racismo
Nem todos os fascismos foram racistas. Disputa pela supremacia ideológica entre o fascismo social e o fascismo racial. As democracias e o racismo. Darwinismo e eugenia. O hitlerismo enquanto biologia aplicada à política. Visão hitleriana do mundo: raça de senhores, sub-raça e anti-raça
 
 
 

Quinta aula do Curso Labirintos do Fascismo


Terceiro Reich: o racismo contra a economia
Os planos para os territórios ocupados de Leste. A crise da produtividade e a negação da mais-valia. O escravismo de Estado como possível modo de produção pós-capitalista. 

sábado, 29 de maio de 2021

Lutte de classes au Portugal : Supplément d'Autonomie Ouvrière.


 Lutte de classes au Portugal

 L'autre combat des travailleurs la même volonté de normalisation du capital.

Supplément d'Autonomie Ouvrière.

Sd. 39p. 

sábado, 8 de maio de 2021

En TELECHARGEMENT : Émission de Radio Vosstanie avec Rita DELGADO Militante Révolutionnaire Internationaliste.

 Émission de Radio Vosstanie !

Du dimanche 23 Mai 2021

avec Rita DELGADO 

Militante révolutionnaire internationaliste. 

TELECHARGER

2h19 minutes

Itinéraire et engagement autour de la lutte des classes, la lutte contre le fascisme au Portugal, Contre le capitalisme d’État et privé, les partis. 

Le 25 avril 1974 et la création du journal Combate, des éditions Contra a Corrente. 

Pour l'autonomie ouvrière.

*

Ce son s’inscrit dans notre travail de mémoire et d'archives sur la lutte des classes au Portugal initié en 2014 avec le site ArQoperaria.net.

 

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Émission avec João BERNARDO sur la parution de : ÉCONOMIE DES PROCESSUS REVOLUTIONNAIRES [Vosstanie Éditions]

 Émission avec João BERNARDO 

sur la parution de : 

ÉCONOMIE DES PROCESSUS  RÉVOLUTIONNAIRES 

[Vosstanie Éditions]

ou
TELECHARGER
2h32 minutes


 

Pour réserver un exemplaire il est possible de nous contacter
ou de commander via Rakuten.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Portugal - Espoir du socialisme - Révolution [Série Internationale N°1]

Portugal - Espoir du socialisme
 Supplément à Révolution N°105 -  [Série Internationale N°1]
 
Édité par GL éditions 1975. 128p. 

Une brochure plutôt factuelle et d'orientation avant-gardiste (léniniste/trostkiste?) qui doit se rendre à l'évidence de l'auto-organisation prolétarienne. Avec un propos convenu sur le "contrôle ouvrier" et le "pouvoir populaire". 
Quelques documents annexes. Cet ouvrage n'est pas dépourvu d'intérêt. Hélas il s’arrête en septembre 1975 en ce qui concerne l'analyse.
 





sábado, 9 de janeiro de 2021

A paraître en février 2021 : Économie des processus révolutionnaires de João Bernardo / Vosstanie Éditions


Économie des processus révolutionnaires
João Bernardo

Traduction du portugais par Vosstanie.
 
TABLE
 
Introduction [ Maurício Tragtenberg [1929-1998] 

- Marxisme orthodoxe et marxisme hétérodoxe

- Les nouvelles relations sociales

- Le développement des nouvelles relations sociales

- L'effondrement des nouvelles relations sociales

 

Suivi de :

 Pratique, idéologie et autonomie des travailleurs : Entrevue avec João Bernardo 

(Revue Ruptura)

Bibliographie de João Bernardo 

Postface du traducteur.  

 

Vosstanie Éditions 

 

A paraitre en février 2021 - 112 pages. 9 €
 
Tirage limité à 100 exemplaires.
 
Pour réserver un exemplaire il est possible de nous contacter. 
 
 

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Adolfo Kaminsky: O Falsificador Livro / Sarah Kaminsky

 

Adolfo Kaminsky, judeu russo de nacionalidade argentina, tinha 17 anos quando foi despejado de casa, com a família, e enviado para o campo de concentração de Drancy. Os seus passaportes argentinos garantiriam à família Kaminsky a libertação deste campo, salvando-os, por uma questão de horas, da deportação para Auschwitz.

Já com a fuga de França marcada, Kaminsky é recrutado pela 6ª, o braço secreto do UGIF, onde se tornaria o mais jovem falsificador ao serviço da Resistência francesa e onde o seu trabalho garantiria salvo-conduto a milhares de judeus nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial.

Após a tomada de Paris, Kaminsky é recrutado pelos serviços secretos franceses, que abandona aquando da Guerra da Indochina. Regressado à clandestinidade, nas décadas seguintes viria a colaborar com a resistência antifranquista, com resistente gregos contra a ditadura dos coronéis, com antissalazaristas em Portugal, com a Frente Nacional de Libertação da Argélia, com objetores de consciência norte-americanos durante a Guerra do Vietname, com vários movimentos de esquerda na América do Sul e com diversos movimentos independentistas africanos (Guiné, Guiné-Bissau, Angola e África do Sul). Kaminsky nunca aceitou dinheiro pelo seu trabalho de falsificador, recusando tornar-se um mercenário e comprometer os ideais maiores de liberdade e dignidade humana que o guiavam. Esta é a história de um verdadeiro herói.

Inclui glossário de Luísa Gabão e José Hipólito dos Santos.
Posfácio de Irene Hipólito dos Santos.

Bertrand Editora, setembro de 2020  216 páginas

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

O RETRATO DA DITADURA PORTUGUESA / Edgar Rodrigues

O RETRATO DA DITADURA PORTUGUESA

 Edgar Rodrigues


Edição Mundo Livre (1962) , Rio de Janeiro, 216pgs.

 

A RAZÃO DÊSTE LIVRO

Com a publicação de "O RETRATO DA DITADURA PORTUGUÊSA”, tem o autor a intensão de divulgar a vasta documentação que colecionara durante a sua longa e penosa permanência em Portugal. Por outro lado, protestar contra essa negra e sinistra figura que outrora dirigia o “CORREIO DE COIMBRA" e sob o pseudônimo de Alves da Silva usava e abusava da liberdade de pensamento escrito e falado, e que agora tão covardemente arrebata aos seus concidadãos.

Alguém – que ao tempo me pareceu muito acertado – afirmara que os ditadores amam demasiadamente a liberdade, por isso a querem só para eles, em vez de a dividirem com os seus semelhantes. Todavia isso não é exato! O ditador português não tem liberdade e também não ama a liberdade, pois se tornou um escravo do sistema que criara para tirar a liberdade aos demais; escravizando, tornou-se escravo de si mesmo. Salazar é um escravo que escraviza, um mentiroso que obriga os outros a mentirem; um criminoso que impele os seus auxiliares a prender, torturar e matar; um escamoteador, que incita os seus auxiliares a roubar.

Tirar a liberdade é roubar; apoderar-se da literatura social – ato corriqueiro e muito praticado nos correios portuguêses, onde funciona a polícia política a mando do famigerado ditador – é furtar, e tudo isso é executado por um sistema ditatorial do qual são vítimas os que perseguem e os que são perseguidos. Oliveira Salazar tem larga semelhança com José Duro, o poeta tuberculoso, que em seu livro ”Fel” afirmava odiar à vida, só porque se sentia morrer lentamente, só porque não podia viver como os demais. E conclui-se que: Salazar é uma vítima da angústia, doença que tenta transferir para os seus concidadãos. Quem algum dia já viu o ditador alegre, divertido, falando da família ? das crianças que alegram a vida? Salazar, como o poeta tuberculoso, odeia a vida, porque não vive! Repudia a família, porque não a tem! Não permite que se fale livremente e  encera os que tentam usar a liberdade, porque gosta das trevas como o morcego procura os subterrâneos e a solidão.

No meu protesto não almejo fazer o jogo de qualquer movimento político partidário, correntes a que estou alheio por convicção ideológica. Tão pouco pretendo atacar os homens como cidadãos, como chefes de família, mas tão só como políticos dirigentes dum sistema ultrapassado e pontilhado de sangue aqui e ali, ao longo de uma existência de mais de 30 anos.

Não esqueço também, os "anti-fascistas”, e oposicionistas, de todas as correntes – que se perdem em discrepâncias banais e se subdividem pelo exilio e em Portugal – sem olhar para esse passado de 34 anos de oposição, trabalho até agora feito para derrubar a ditadura, e que na realidade, mais ajudou a consolidá-la do que liquidá-la definitivamente. O balanço das vítimas da ditadura – já não direi dos atingido pela falsa educação e vítimas da mistificação de Fátima – mas dos que morreram pelas prisões ou fora delas, mas em conseqüência das mesmas, e dos que a cada instante transpõem os Umbrais das câmaras de tortura, e que atinge a casa dos milhares, sem que dêsse sacrificio se tenha sacado resultados práticos. Eis a realidade nua.

Já lá vão 34 anos, tempo demasiadamente longo para se planejar e executar a derrubada de uma tirania, que só pela força veremos desaparecer. Ninguém levará à Península Ibérica a liberdade, a não ser conquistada pelo próprio povo de Portugal e da Espanha. A liberdade do Povo Ibérico terá que ser uma conquista do próprio povo e não uma dádiva circunstancial, para ficar como está, com rótulo diferente.

As páginas que o leitor lerá, não têm o bom sabor e o brilho literário que lhe poderiam em prestar os mestres da gramática - que não raro se perdem atrás do estilo, esquecendo a substância e os fatos, – tão pouco se destina a agradar as correntes da direita ou da esquerda. Sua missão é a de trazer a verdade amarga e cruel, mas a verdade. 

 Edgar Rodrigues